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Sob pressão, Sánchez promete trabalhar "em contrarrelógio" para resolver crise na habitação
O presidente do Governo espanhol confirmou este domingo que o executivo está a trabalhar para aprovar um decreto sobre habitação no Conselho de Ministros da próxima terça-feira. Centenas de manifestantes ocupam desde sábado à noite uma das principais praças de Madrid, exigindo medidas contra a crise.
Num discurso durante um comício em Getafe, Pedro Sánchez dirigiu-se diretamente a Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos despejada esta semana do apartamento onde vivia.
“Maricarmen, tenho uma mensagem para si: o Governo está a trabalhar em contrarrelógio para levar à reunião de terça-feira o decreto-lei sobre habitação. Peço aos grupos parlamentares que façamos um último esforço para que seja ratificado. Não é uma questão de ideologia, é uma questão de humanidade”, afirmou Sánchez.
Maricarmen Abascal tornou-se no símbolo da crise de habitação em Espanha ao ser retirada daquela que foi a sua casa por mais de 70 anos, comprada recentemente por um fundo de investimento imobiliário. As imagens do despejo, na última quarta-feira, comoveram o país e colocaram o tema da habitação no centro do debate.
Desde sábado à noite que centenas de manifestantes e ativistas em tendas ocupam parte das Porta do Sol, em Madrid, um ponto turístico e muito movimentado da capital espnhola. Denunciam o despejo de Maricarmen, mas exigem também mais direitos para os inquilinos e uma resposta do Governo.
"Teria vergonha de despejar um pensionista", lê-se no cartaz de um dos manifestantes acampados em Madrid. | Foto: Susana Vera - Reuters
Na próxima reunião de Conselho de Ministros, o Governo espanhol deverá aprovar uma série de medidas, apelidadas de "Decreto Maricarmen", que incluem a renovação automática dos contratos de arrendamento e restrições mais rigorosas para os despejos.
No entanto, e porque o Governo de Pedro Sánchez não tem maioria no Congresso dos Deputados, não se sabe ao certo se estas medidas serão aprovadas. No início do ano, um projeto de lei semelhante foi rejeitado no Parlamento espanhol.
No discurso deste domingo, Pedro Sánchez apontou culpas à oposição, em concreto ao Partido Popular (PP) pelo despejo de Maricarmen Abascal, citando os decretos habitacionais que foram vetados e que pretendiam impedir o despejo de pessoas vulneráveis.
Voltou também a apontar críticas à presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso (PP), no centro da polémica devido à compra de uma penthouse num dos melhores bairros da capital espanhola pelo valor de 6,3 milhões de euros.