Sobe para 1.295 número de mortos pelas cheias após resgate de dois homens com vida
O número de mortos nas devastadoras cheias no Nepal subiu para 1.295, e o de desaparecidos diminuiu para 4.898, divulgaram hoje as autoridades, após o resgate de dois homens dez dias encurralados num túnel.
Segundo o mais recente relatório da polícia nepalesa, incluem-se entre os 4.898 desaparecidos pelo menos 618 estrangeiros.
Do lado chinês, a comunicação social estatal noticiou hoje 31 mortos e 531 desaparecidos na região do Tibete, também fortemente afetada pelas inundações.
O balanço provisório nos dois países situa-se agora em 1.326 mortos e 5.429 desaparecidos.
A atualização dos números no Nepal e no Tibete coincidiu com um raio de esperança procedente da central hidroelétrica Trishuli 3A, quando as equipas de emergência conseguiram recuperar com vida dois trabalhadores que ficaram encurralados quando a água, a lama e os escombros soterraram o complexo.
Um dos homens resgatados, Kabir Maharjan, está internado em estado crítico na unidade de cuidados intensivos de um hospital militar em Katmandu, devido a hipotermia grave e exaustão extrema nos membros.
O outro trabalhador, Sanjay Sah, encontra-se estável e relatou que, durante o período em que esteve retido, conseguiu comunicar gritando para várias pessoas que se encontravam nas proximidades.
Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países.
A identificação dos falecidos continua a ser um dos maiores desafios para o país dos Himalaias. As autoridades especificaram que, dos 1.295 cadáveres recuperados, entre os quais os de 121 menores, 1.263 continuam por identificar.
Os peritos forenses intensificaram a recolha de amostras de ADN, tendo já acumulado 2.106 perfis genéticos dos falecidos e dos seus familiares.
Os meios de comunicação social estatais chineses nunca divulgaram os nomes dos desaparecidos nem transmitiram imagens que mostrassem as reações das suas famílias.
Em contraste, no Nepal, a polícia fornece uma contagem diária atualizada, por vezes várias vezes por dia, e as autoridades publicam os nomes dos desaparecidos, incluindo os estrangeiros.
As cheias repentinas de 26 de agosto, descritas pelos observadores locais como um dos piores desastres de que há memória no Nepal, fizeram o nível da água do rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal, destruindo povoações ao longo de um troço de 72 quilómetros das suas margens.
Causaram também danos significativos em centrais hidroelétricas e outras infraestruturas, além de terem destruído habitações, estradas e pontes em vários distritos.
Destruíram igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, na fronteira entre o Nepal e a China, uma rota essencial para o comércio bilateral, e afetaram dezenas de povoações.
A catástrofe foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses, situado a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Katmandu e cinco quilómetros a sul da fronteira com o Tibete.
As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias.