Solana diz que situação na Ucrânia não piorou e que espera reunir-se com as partes
O Alto representante da Política externa da UE, Javier Solana, declarou hoje à chegada a Kiev que a situação "não piorou" na Ucrânia e espera reunir-se com todas as partes implicadas no conflito.
"Vou agora discutir com o presidente Kutchma. Vou-me encontrar amanhã com os diferentes líderes. Terei a possibilidade de discutir com cada um deles", declarou à chegada à capital ucraniana, sem precisar se a reunião seria com cada uma das partes separadamente ou se haveria uma mesa-redonda.
"Espero que com a boa vontade de todos, faremos alguns progressos nos próximos dias", acrescentou.
"Creio que serão reuniões breves, mas confio que verei todos com quem conversei sexta-feira passada", declarou.
Na mesa-redonda de sexta-feira participaram o líder da oposição, Viktor Iuchtechenko, o seu rival e primeiro-ministro, Viktor Ianukovicth, o presidente Leonid Kutchma e o presidente do Parlamento, Vladimir Litvin.
Na qualidade de mediadores intervieram, além de Solana, os presidentes da Polónia, Aleksander Kwasnewski, e da Lituânia, Vladas Admakus, assim como o presidente da Câmara de deputados da Rússia, Boris Grizlov, e o secretário-geral da OSCE, Jan Kubis.
Directamente do aeroporto, o Alto Representante da Política externa da UE dirigiu-se para uma reunião com Kutchma.
Solana acrescentou que chegou "com o mesmo ânimo de sexta- feira", quando a mediação internacional conseguiu tirar a crise do ponto morto em que se encontrava.
Também destacou que todas as partes devem cumprir estritamente os acordos alcançados sexta-feira e que estabeleciam a renúncia ao uso da força, o diálogo para encontrar uma saída para a crise e a revisão pelo Supremo Tribunal das polémicas eleições presidenciais do passado dia 21.
São também esperados quarta-feira em Kiev o presidente polaco, o presidente lituano e o presidente da Duma russa (câmara baixa do parlamento). Vão reunir-se com os protagonistas da crise política, o primeiro-ministro pró-russo Ianukovitch, vencedor proclamado das eleições, o seu rival Iuchtchenko, e o presidente Kutchma.
Os mediadores estrangeiros regressam assim a Kiev depois de a oposição ucraniana ter anunciado hoje a ruptura das negociações com o poder.