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Soldado dos EUA deserta para a Coreia do Norte após fugir a escolta
O Pentágono confirmou esta terça-feira que um militar norte-americano atravessou sem autorização a fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, estando agora sob custódia das tropas de PyongYang.
O soldado estava a ser escoltado de regresso aos Estados Unidos, por motivos disciplinares, quando voltou para trás no aeroporto e se juntou a um grupo que realizava um exercício de orientação junto à fronteira, referiu um responsável aos media norte-americanos.
Uma testemunha, que integrava o grupo, afirmou à CBS que o militar desatou a rir e começou a correr na direção da Coreia do Norte. "Pensei primeiro que era uma má piada, mas quando ele não regressou percebi que não era uma piada", afirmou.
Fontes militares confirmaram à CBS que o nome do militar de 2ªclasse que desertou é Travis King,
como foi avançado pela imprensa sul-coreana, mas as autoridades
norte-americanas só irão revelar oficialmente a identidade após a notificação dos
familiares do soldado em questão.
O Comando das Nações Unidas na Coreia do Norte confirmou o sucedido.
A U.S. National on a JSA orientation tour crossed, without authorization, the Military Demarcation Line into the Democratic People’s Republic of Korea (DPRK). We believe he is currently in DPRK custody and are working with our KPA counterparts to resolve this incident. pic.twitter.com/a6amvnJTuY
— United Nations Command 유엔군사령부/유엔사 (@UN_Command) July 18, 2023
"Estamos a trabalhar com os nossos homólogos de Exército do Povo Koreano (KPA) para resolver este incidente", referiu o comunicado do porta-voz do Comando e das Forças dos EUA na Coreia do Sul, o coronel Isaac Taylor, onde King tinha sido colocado após se ter alistado.
"Creio que ele está neste momento sob custódia" na República Democrática da Coreia, acrescentou.
"Preocupado"
Taylor sublinhou que "um cidadão norte-americano" atravessou a linha de fronteira "voluntariamente e sem autorização", durante um passeio legítimo na Área de Segurança Conjunta (JSA) que divide a Península.
Travis King integrou o grupo do tour vestido à civil, confirmaram outras fontes.
Não houve qualquer indício que o soldado pretendia desertar, afirmaram entretanto fontes ligadas ao Pentágono.
Travis King integrou o grupo do tour vestido à civil, confirmaram outras fontes.
Não houve qualquer indício que o soldado pretendia desertar, afirmaram entretanto fontes ligadas ao Pentágono.
O secretário da Defesa, Lloyd Austin, confirmou que o soldado atravessou a fronteira voluntariamente, acrescentando estar "sobretudo absolutamente preocupado" com o seu bem-estar.
"Estamos a acompanhar e investigar a situação ao pormenor e a processar a notificação dos familiares do soldado, e a trabalhar para lidar com este incidente", referiu Austin em conferência de imprensa.
"Estamos a acompanhar e investigar a situação ao pormenor e a processar a notificação dos familiares do soldado, e a trabalhar para lidar com este incidente", referiu Austin em conferência de imprensa.
A JSA integra a Zona Desmilitarizada, DMZ, entre as duas Coreias e excursões à área são abertas ao público e organizadas pelo Comando das Nações Unidas.
Bastou "um passo"
Um acordo bilateral entre as Coreias permitiu desarmar a JSA em 2018, pelo que os soldados do UNC e da KPA patrulham a área sem armas. Ninguém está autorizado a atravessar a linha de demarcação militar que separa o norte e o sul da Península Coreana.
A DMZ atravessa a península como uma faixa de 250 quilómetros de comprimento e quatro quilómetros de largura. É uma das fronteiras mais fortificadas e vigiadas do mundo, incluindo barreiras de arame farpado e campos minados, além de patrulhas constantes de ambos os lados.
Pelo contrário, a JSA é uma área livre a que só se acede através de uma série de postos de controlo, mas onde basta um passo para atravessar a Linha de Demarcação Militar que constitui a fronteira efetiva e que apenas ligeiramente sobreelevada do solo.
Geralmente os participantes das excursões legítimas são mantidos a alguns metros da Linha. Do lado sul-coreano existem patrulhas regulares mas não do lado norte-coreano.
Foi esta Linha que foi atravessada por Donald Trump quando se encontrou com o líder norte-coreano Kim Jong Un, em 2019 e, agora, por Travis King. O retorno deste é mais incerto.