Soldados resgatam Presidente do Equador

O exército do Equador salvou o Presidente Raul Correa que estava sequestrado num hospital por policias rebeldes. Os militares usaram granadas de atordoar e gás lacrimogéneo para resgatar o Chefe de Estado que estava retido num quarto há mais de 12 horas. Durante a operação ficaram feridos cinco soldados. Antes, uma pessoa tinha morrido e outras seis ficaram feridas em confrontos com os policias que protestavam contra cortes nos seus benefícios salariais.

António Carneiro, RTP /
Envergando uma máscara de gás e sentado numa cadeira de rodas o Presidente do Equador é resgatado do hospital onde estava sequestrado por um grupo de policias revoltosos José Jacome Rivera, EPA

A operação para resgatar o Presidente equatoriano durou 35 minutos e foi acompanhada de forte tiroteio. Sob a capa da escuridão, Raul Correa foi transportado numa cadeira de rodas para fora do hospital, envergando uma máscara de gás, e levado até ao Palácio Presidencial de onde falou, mais tarde, a uma multidão de apoiantes.

Falando de uma varanda, o Chefe de Estado do Equador agradeceu aos seus partidários, e em particular aos guarda-costas, por se manterem firmes ao seu lado e disse que a tentativa dos polícias rebeldes para o derrubar tinha falhado.

“Ninguém apoiou tanto a polícia como este Governo, ninguém aumentou tanto os seus salários “ disse Correa referindo-se aos protestos policiais sobre os alegados cortes de benefícios, “ Depois de tudo o que fizemos pela policia eles fizeram isto! “ prosseguiu, explicando que tinha estado detido no interior de um quarto e impedido de sair.

“Supostamente é a Polícia Nacional! Que vergonha!” acrescentou o Presidente do Equador, que garantiu nunca aceitar “negociar seja o que for sob pressão”. Raul Correa disse ainda que as acções das forças policiais o tinham deixado “profundamente entristecido, como se tivesse sido esfaqueado pelas costas”.

“Se quiserem matar o Presidente aqui está ele. Matem-no se quiserem, matem-no se tiverem coragem”, disse ele desapertando a camisa e mostrando o peito.

Protesto por causa de prémios e carreirasOs distúrbios começaram quinta-feira, quando elementos da Policia Nacional saíram á rua em Quito e atacaram fisicamente o Presidente e vários dos seus apoiantes para protestar contra o que consideram ser o cancelamento dos seus bónus e promoções.

Atingido por gás lacrimogéneo, Raul Correa foi transportado a um hospital para ser tratado e foi lá que viria a ficar retido durante grande parte do dia pelos agentes revoltosos.

Do seu quarto hospitalar o Presidente descreveu por telefone a situação à TV como uma tentativa de golpe por parte das forças policiais

Segundo disse, os polícias estavam na altura a tentar chegar até ao local onde se encontrava. Na altura afirmou que se fosse morto “seria substituído por milhares de revolucionários” e que nunca se renderia. De caminho proclamou o seu amor pelo país e pela família.

Versões contraditóriasEntretanto, enquanto isto de passava, o ministro responsável pela coordenação da políticas, Doris Sollis, dava à CNN uma versão diferente da do Presidente, negando que estivesse em marcha “uma tentativa de golpe”.

Depois de libertado, Raul Correa voltou a afirmar que, ao contrário do que alguns dizem, uma lei passada na quarta-feira pela Assembleia Nacional não corta nos bónus de compensação da polícia e acusou a oposição e os média de enganarem a opinião pública sobre a legislação .

Segundo disse aos seus apoiantes, “nem um único dos policias” tinha lido a lei.

“Quando me exigiram que revogasse a lei para me deixarem sair eu disse-lhes – Não desperdicem tempo comigo, eu saio como Presidente de uma nação digna ou saio como cadáver”, explicou, acrescentando que “como é evidente”, a lei não será revogada.

Correa de 47 anos é um economista formado nos EUA e tomou posse do cargo presidencial do Equador em 2007. Em 2009 foi reeleito, apesar de uma controversa decisão em que se recusou a honrar os compromissos da dívida do país ao rejeitar o pagamento de obrigações globais no valor de cerca de três mil e duzentos milhões de dólares. Uma medida que viria a causar  graves problemas fiscais ao Governo equatoriano.
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