Soldados sírios realizaram "execuções sumárias" em Damasco

Soldados sírios realizaram "execuções sumárias" em Damasco

Testemunhas acusam membros da 4ªDivisão blindada do exército sírio de ter executado sumariamente vários jovens no bairro de Barzeh, após terem reconquistado a zona aos rebeldes durante o domingo. A divisão é comandada pelo irmão do Presidente Bashar al-Assad.

Graça Andrade Ramos, RTP /
Damasco e Aleppo foram fortemente bombardeadas este domingo Shaam News/EPA

Testemunhas e ativistas rebeldes afirmam ter visto os solados a entrar numa  casa para executar um homem, além de fazerem outras vítimas, em plena rua.

"Pelo menos 20 carros armados da 4ªdivisão e centenas dos seus soldados, entraram em Barzeh, esta tarde. Vi tropas a entrar em casa de Issa al-Arab, de 26 anos. Deixaram-no morto com duas balas na cabeça. Issa Wahbeh, de 17 anos, foi retirado de um abrigo, espancado e morto. Quatro outros homens de cerca de 20 anos foram mortos desta forma", afirmou ao telefone o ativista Abu Kais, a partir de Barzeh.
Exército recupera posições
O exército sírio bombardeou vários pontos de Damasco, este domingo, usando helicópteros. Em muitos bairros a população foi arrebanhada e detida, à medida que os soldados reconquistavam posições aos rebeldes.

O bairro diplomático de Damasco, Mezzeh, foi invadido por mais de 1.000 soldados e milícias, apoiados por veículos e carros armados e buldozers. Três pessoas morreram e 50, na maioria civis, ficaram feridos no bombardeamento anterior à ocupação militar e estão "sem cuidados médicos" segundo um residente.

"Vi homens serem despidos até às cuecas. Três autocarros levaram detidos de al-Farouk, incluindo mulheres e famílias inteiras. Várias casas foram incendiadas", acrescentou a testemunha.
Vingança
Em Aleppo, registaram-se combates intensos junto ao edifício dos serviços de informação. As tropas leais ao regime recuperaram entretanto dois postos fronteiriços na fronteira com o Iraque mas perderam outro, na fronteira com a Turquia.

A ferocidade da repressão é atribuída à vingança de Assad pela morte terça feira, num ataque à bomba, de quatro dos seus mais altos responsáveis pela segurança e estratégia militar, entre eles o próprio cunhado do Presidente.

Bashar al-Assad tem estado em paradeiro incerto desde terça-feira mas Israel afirmou hoje que Assad permanece em Damasco.
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