Solo da capital mexicana pode abater

A zona Este da Cidade do México, onde habitam mais de 18 milhões de pessoas, corre o risco de ruir sob o pés da população, devido à sobre-exploração dos seus lençóis freáticos e ao efeito da temporada de chuvas.

© 2007 /

Diversas crateras com até 22 metros de profundidade e 30 de diâmetro têm aparecido nos últimos dias no Distrito Municipal de Iztapalapa, engolindo o que estava à superfície e abrindo fendas nas infra-estruturas em redor, como vivendas, escolas e estabelecimentos comerciais.

Hoje, após três dias de buscas, foi resgatado o corpo já sem vida de um rapaz de 19 anos que ficara sepultado por lodo e escombros após cair, com o seu veículo, num dos buracos.

Já no dia 05 deste mês, na mesma zona da cidade, abriu-se uma fenda com 30 metros de comprido, seis de largura e dois de profundidade que danificou uma conduta da empresa Petróleos Mexicanos (Pemex), causando um derrame de combustível que ensopou cerca de 150 metros cúbicos de solo e afectou 19 residências.

Esta foi apenas uma das 200 fendas que abriram na terra naquela localidade.

Segundo especialistas, as depressões no solo devem-se à exploração excessiva dos lençóis freáticos, dos quais o sistema de água da cidade extrai milhares de litros para satisfazer as necessidades da população.

Um estudo do Instituto de Geologia da Universidade Autónoma do México revela que o problema remonta aos anos 1960, quando se começou a extrair água subterrânea de Peñón, na zona Oriental da cidade.

Por sua vez, essa medida foi tomada para evitar a derrocada do Centro Histórico do Distrito Federal, pois aí a captação de águas profundas chegou a danificar edifícios históricos como a Catedral Metropolitana e causou o abatimento do solo em oito metros.

Entretanto, a autarquia da Cidade do México prevê evacuar cerca de 120 casas afectadas pelos incidentes e deslocar os seus 250 habitantes para albergues temporários.

As autoridades decidiram começar a colmatar as fendas e a explorar o subsolo com radares mas as fissuras continuam a surgir, incluindo noutras zonas da cidade.

Para agravar a situação, a cidade vive uma intensa temporada de chuvas que durará até Outubro, com algunas precipitações de mais de 40 litros por metro quadrado num dia, o que fragiliza ainda mais a terra.

Face à situação, os chefes de cinco delegações do Distrito Federal exigiram ao governo que accione o Fundo de Prevenção dos Desastres Naturais para evitar mais tragédias.


PUB