Somar pede reconhecimento de estado palestiniano no acordo de coligação
O partido espanhol Somar colocou o reconhecimento urgente do estado palestiniano por parte de Espanha nas negociações com os socialistas com vista à formação da nova coligação de Governo do país, disse hoje um porta-voz da formação política.
"Pensamos que chegou o momento de Espanha reconhecer o estado palestiniano de forma unilateral, incondicional e urgente, como uma contribuição essencial para a resolução do conflito [no Médio Oriente] e para a paz", disse Ernest Urtasun, numa conferência de imprensa em Madrid.
O dirigente do Somar (uma plataforma de forças de esquerda e extrema-esquerda) acrescentou que o partido pretende que "uma das primeiras medidas do próximo governo de coligação seja o reconhecimento do estado palestiniano por parte de Espanha".
O Somar transmitiu isso mesmo ao partido socialista (PSOE) há alguns dias, sendo que o pedido de reconhecimento do estado palestiniano já era, desde o início das negociações, uma das questões pedidas pela plataforma de esquerda e extrema-esquerda, garantiu.
Ernest Urtasun explicou que o que o Somar pede agora é que esse reconhecimento rápido "conste de forma clara e inequívoca no próximo acordo de Governo".
O dirigente do Somar defendeu que há uma "dívida dos espanhóis com os palestinianos", lembrando que o parlamento de Espanha aprovou em 2014 uma resolução em que insta o Governo a reconhecer o estado palestiniano.
O executivo nunca o chegou a fazer, à espera de uma posição comum da União Europeia.
"É muito difícil um acordo global da União Europeia e Espanha deve fazê-lo já", defendeu Ernest Urtasun, que sublinhou que outros países comunitários, como a Suécia ou a Grécia, reconhecem o estado palestiniano.
Urtasun reiterou hoje a condenação, em nome do Somar, do ataque do grupo islamita Hamas a população civil israelita, a partir da Faixa de Gaza, em 07 de outubro, que considerou "um crime de guerra, que deve ser condenado".
"Mas isso não dá o direito a Israel de impor um castigo coletivo à Faixa de Gaza, cometendo crimes de guerra", como corte de água e luz à população daquele território ou bombardeamentos de civis, acrescentou.
O Somar e o PSOE negoceiam uma coligação de Governo em Espanha na sequência das eleições de 23 de julho passado.
O líder do PSOE e atual primeiro-ministro de Espanha em funções, Pedro Sánchez, reiterou hoje em Tirana, na Albânia, na abertura de uma cimeira dos Balcãs Ocidentais em que estão líderes europeus, a condenação "ao ataque do Hamas contra Israel", país que "tem o legítimo direito de se defender dentro do respeito do direito internacional e humanitário".
Sánchez defendeu que "a única maneira de resolver definitivamente o conflito" entre Israel e a Palestina "é através do reconhecimento dos dois estados para que possam coexistir em paz e segurança".
O Hamas controla a Faixa de Gaza (um território que tem fronteiras com Israel e o Egito) desde 2007 e é classificado como terrorista pela União Europeia, Estados Unidos e Israel.
Em 07 de outubro, o Hamas atacou Israel com o lançamento de milhares de foguetes e uma incursão de milicianos armados.
Em resposta, Israel bombardeou infraestruturas do Hamas e impôs um cerco à Faixa de Gaza com corte de abastecimento.
Os ataques já provocaram milhares de mortos e feridos nos dois territórios.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel está "em guerra" com o Hamas.