Sonda lançada há 35 anos vagueia no cosmos após missão histórica
A primeira sonda enviada para investigar Júpiter e as regiões mais longínquas do Sistema Solar, a Pioneer 10, vagueia agora em sil êncio no espaço, 35 anos depois de ter iniciado a sua missão pioneira.
A missão Pioneer 10 conta-se entre "as mais históricas e cientificamente m ais ricas da exploração espacial", diz Colleen Hartman, directora da divisão de exploração do Sistema Solar da NASA.
No seu último contacto, o engenho estava a 12,2 mil milhões de quilómetros da Terra, cerca de 82 vezes a distância entre esta e o Sol, e dirigia-se para a estrela vermelha Aldebaran, que forma o olho da constelação Touro, onde poderá chegar dentro de dois milhões de anos.
"A Pioneer 10 foi uma pioneira no verdadeiro sentido da palavra", afirmou Hartman. "Depois de ter passado Marte na sua longa viagem até ao espaço profund o, aventurou-se em zonas onde nenhum veículo construído pela humanidade tinha an tes passado", acrescentou. Foi lançada por um foguetão de três andares Atlas-Centauro a mais de 52.00 0 quilómetros por hora, o que a tornou no objecto mais rápido a deixar a atmosfe ra terrestre, permitindo-lhe chegar à Lua em 11 horas e atravessar a órbita de M arte, a 80 milhões de kms de distancia, em apenas 12 semanas.
A 15 de Julho de 1972, a Pioneer 10 foi a primeira nave espacial a entrar na cintura de asteróides existente entre Marte e Júpiter, tendo depois acelerado até 130.000 kms/h e passado por Júpiter a 03 de Dezembro de 1973.
A sonda realizou as primeiras observações detalhadas e directas de Júpiter , permitindo mapear os anéis de radiações do planeta, localizar o seu campo magn ético e determinar a sua composição predominantemente líquida. Foi também o primeira e até agora única nave humana a passar por Plutão, o planeta mais afastado do Sol e excluído do Sistema Solar em Agosto de 2006 pela União Astronómica Mundial, que o despromoveu para a categoria de "planeta anão" .
Na última fase da sua missão, a Pioneer 10 explorou as regiões mais distan tes do Sol, tendo estudado a composição dos ventos solares e dos raios cósmicos que entram na porção solar da Via Láctea, até terminar a sua missão científica e m 31 de Março de 1997.
Depois dessa data limitou-se a enviar sinais fracos, que acabaram por se e xtinguir nos princípios de 2003, o que a converteu numa nave fantasma na imensid ão do cosmos.
Para eventualidade de contactar outros seres, a sonda leva a bordo uma pla ca em ouro com uma descrição de um ser humano, a localização da Terra e a data d o início da missão.