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Sondagens dão vitória a Macron. Guerra na Ucrânia e UE marcam debate em França
Emmanuel Macron e Marine Le Pen defrontaram-se, na noite de quarta-feira, num debate televisivo que pode ter sido determinante para o desfecho da segunda volta das eleições presidenciais francesas, marcadas para o próximo domingo. Nas mais de duas horas de debate, a guerra da Ucrânia acabou por ser o grande tema em cima da mesa, com Macron a acusar a sua adversária de estar “dependente” de Vladimir Putin. Apesar de a candidata da extrema-direita ter tido uma melhor prestação do que no debate de 2017, Macron foi eleito vencedor do debate desta quarta-feira.
Durante mais de duas horas, os dois candidatos trocaram acusações e discutiram temas que foram desde a saúde aos impostos, imigração, alterações climáticas e à União Europeia. Mas a guerra na Ucrânia foi o grande tema que marcou o debate, tal como era esperado.
O atual chefe de Estado defendeu o apoio da União Europeia à Ucrânia, argumentando que “só esse apoio poderá garantir a defesa da população e libertar o território”. “O papel da França e da Europa é como temos feito desde o início, primeiro que tudo, apoiar a Ucrânia para resistir”, defendeu Macron, sublinhando que esse apoio passa pelo envio de equipamentos de defesa, pela ajuda financeira e pelo acolhimento de refugiados ucranianos. A candidata da extrema-direita respondeu que nunca se opôs a essa ajuda, esclarecendo que as suas incertezas neste campo se prendem aos “limites entre a ajuda militar e o incentivo à guerra”.
No entanto, Macron jogou logo de seguida a sua carta mais forte e aquela que viria a marcar o debate: o financiamento do partido de Le Pen na Rússia. O atual chefe de Estado recordou o empréstimo do partido União Nacional a uma instituição financeira russa em 2015, acusando a sua adversária de estar dependente de Vladimir Putin e dos “seus banqueiros russos”. “Você não pode defender os interesses da França porque os seus interesses estão ligados às potências russas”, acusou Macron. Le Pen defendeu-se dizendo que, em França, não conseguiu o empréstimo de que precisava para as suas campanhas e insistiu que a transação em causa não comprometeu, de forma alguma, a sua autonomia. “Sabe perfeitamente que aquilo que diz é falso. Sabe perfeitamente que sou uma mulher absolutamente e totalmente livre”, respondeu Le Pen a Macron.
Referindo-se a um tweet que publicou em 2014 (ano da anexação da Crimeia), onde afirmava que defendia uma “Ucrânia livre que não seja submissa aos Estados Unidos, à União Europeia ou à Rússia”, a candidata da extrema-direita garantiu que a sua posição atualmente “é a mesma”.
Marine Le Pen também se declarou conta as sanções energéticas à Rússia, argumentando que “esse não é um bom metido” e apenas prejudicará o povo francês. “Estive de acordo com todas as sanções aplicadas contra os oligarcas, contra os bancos, contra tudo isso. A única sanção com a qual discordo é a de bloqueio da importação de gás e petróleos russos. Porque penso que esse não é um bom método. Não será o que irá prejudicar realmente a Rússia. E fará sobretudo muito mal ao povo francês”, afirmou a candidata.
“Frexit”
A saída da União Europeia foi outro dos temas quentes do debate da noite de quarta-feira e é uma das divisões centrais entre Le Pen e Macron. A candidata da extrema-direita quer substituir “gradualmente” a UE por uma “aliança de nações”, enquanto o atual chefe de Estado defende a “soberania” e autonomia” europeia.
Macron recuou a 2017 para relembrar que a sua adversária defendeu na sua campanha eleitoral a saída da União Europeia. O atual presidente francês diz que Le Pen continua a querer sair do euro, “mas sem dizer”. Face a isso, o candidato social-liberal reiterou a sua confiança “na Europa e no eixo franco-alemão” que, na sua opinião, “vai permitir avançar na soberania europeia” contra outras superpotências.
Por seu lado, a candidata de extrema-direita respondeu que “a soberania europeia não existe, porque não há cidadania europeia”. “Você quer substituir a soberania francesa pela soberania europeia e é por isso que coloca a bandeira europeia [da UE] sob o Arco do Triunfo”, ripostou Le Pen. Após a sua derrota nas eleições de 2017, Marine Le Pen desistiu da ideia da saída da França da UE, ou “Frexit”, uma vez que os franceses são maioritariamente a favor da permanência no bloco europeu. A candidata da extrema-direita defende agora a "criação de uma Aliança Europeia das Nações que visa substituir gradualmente a União Europeia".
Le Pen acusou a Comissão Europeia de interferir nas decisões nacionais dos seus membros e na “multiplicação de acordos internacionais de livre comércio assinados para permitir a venda de carros alemães sacrificando os [nossos] agricultores”.
Sondagens dão vitória a Macron
Depois de um desempenho que foi considerado desastroso para Marine Le Pen no debate de 2017, a candidata da extrema-direita estava agora melhor preparada e assumiu um tom muito mais cordial. No entanto, mesmo assim, a candidata esteve num patamar inferior a Macron. Le Pen ia resistindo e retorquindo aos ataques de Macron, mas o atual chefe de Estado estava visivelmente melhor preparado, sobretudo com os números económicos.
Por este motivo, Macron foi eleito vencedor do longo debate. De acordo com a maioria dos estudos de opinião efetuados logo após o debate, entre os candidatos às eleições do próximo domingo, 59 por cento dos inquiridos atribuíram a vitória ao atual presidente francês. Já 39 por cento considerou que foi Marine Le Pen a vencedora. Em cada dez pessoas que responderam que o vencedor foi Macron, seis votaram anteriormente em Jean-Luc Mélanchon, o candidato da extrema-esquerda francesa.
Ainda assim, durante o debate, Macron não conseguiu dissipar uma imagem de arrogância que se enraizou durante sua presidência. Ele interrompeu a sua adversária repetidamente com frases como "A senhora Le Pen é muito mais disciplinada do que há cinco anos" e "Pare de confundir tudo".
O atual chefe de Estado defendeu o apoio da União Europeia à Ucrânia, argumentando que “só esse apoio poderá garantir a defesa da população e libertar o território”. “O papel da França e da Europa é como temos feito desde o início, primeiro que tudo, apoiar a Ucrânia para resistir”, defendeu Macron, sublinhando que esse apoio passa pelo envio de equipamentos de defesa, pela ajuda financeira e pelo acolhimento de refugiados ucranianos. A candidata da extrema-direita respondeu que nunca se opôs a essa ajuda, esclarecendo que as suas incertezas neste campo se prendem aos “limites entre a ajuda militar e o incentivo à guerra”.
No entanto, Macron jogou logo de seguida a sua carta mais forte e aquela que viria a marcar o debate: o financiamento do partido de Le Pen na Rússia. O atual chefe de Estado recordou o empréstimo do partido União Nacional a uma instituição financeira russa em 2015, acusando a sua adversária de estar dependente de Vladimir Putin e dos “seus banqueiros russos”. “Você não pode defender os interesses da França porque os seus interesses estão ligados às potências russas”, acusou Macron. Le Pen defendeu-se dizendo que, em França, não conseguiu o empréstimo de que precisava para as suas campanhas e insistiu que a transação em causa não comprometeu, de forma alguma, a sua autonomia. “Sabe perfeitamente que aquilo que diz é falso. Sabe perfeitamente que sou uma mulher absolutamente e totalmente livre”, respondeu Le Pen a Macron.
Referindo-se a um tweet que publicou em 2014 (ano da anexação da Crimeia), onde afirmava que defendia uma “Ucrânia livre que não seja submissa aos Estados Unidos, à União Europeia ou à Rússia”, a candidata da extrema-direita garantiu que a sua posição atualmente “é a mesma”.
Marine Le Pen também se declarou conta as sanções energéticas à Rússia, argumentando que “esse não é um bom metido” e apenas prejudicará o povo francês. “Estive de acordo com todas as sanções aplicadas contra os oligarcas, contra os bancos, contra tudo isso. A única sanção com a qual discordo é a de bloqueio da importação de gás e petróleos russos. Porque penso que esse não é um bom método. Não será o que irá prejudicar realmente a Rússia. E fará sobretudo muito mal ao povo francês”, afirmou a candidata.
“Frexit”
A saída da União Europeia foi outro dos temas quentes do debate da noite de quarta-feira e é uma das divisões centrais entre Le Pen e Macron. A candidata da extrema-direita quer substituir “gradualmente” a UE por uma “aliança de nações”, enquanto o atual chefe de Estado defende a “soberania” e autonomia” europeia.
Macron recuou a 2017 para relembrar que a sua adversária defendeu na sua campanha eleitoral a saída da União Europeia. O atual presidente francês diz que Le Pen continua a querer sair do euro, “mas sem dizer”. Face a isso, o candidato social-liberal reiterou a sua confiança “na Europa e no eixo franco-alemão” que, na sua opinião, “vai permitir avançar na soberania europeia” contra outras superpotências.
Por seu lado, a candidata de extrema-direita respondeu que “a soberania europeia não existe, porque não há cidadania europeia”. “Você quer substituir a soberania francesa pela soberania europeia e é por isso que coloca a bandeira europeia [da UE] sob o Arco do Triunfo”, ripostou Le Pen. Após a sua derrota nas eleições de 2017, Marine Le Pen desistiu da ideia da saída da França da UE, ou “Frexit”, uma vez que os franceses são maioritariamente a favor da permanência no bloco europeu. A candidata da extrema-direita defende agora a "criação de uma Aliança Europeia das Nações que visa substituir gradualmente a União Europeia".
Le Pen acusou a Comissão Europeia de interferir nas decisões nacionais dos seus membros e na “multiplicação de acordos internacionais de livre comércio assinados para permitir a venda de carros alemães sacrificando os [nossos] agricultores”.
Sondagens dão vitória a Macron
Depois de um desempenho que foi considerado desastroso para Marine Le Pen no debate de 2017, a candidata da extrema-direita estava agora melhor preparada e assumiu um tom muito mais cordial. No entanto, mesmo assim, a candidata esteve num patamar inferior a Macron. Le Pen ia resistindo e retorquindo aos ataques de Macron, mas o atual chefe de Estado estava visivelmente melhor preparado, sobretudo com os números económicos.
Por este motivo, Macron foi eleito vencedor do longo debate. De acordo com a maioria dos estudos de opinião efetuados logo após o debate, entre os candidatos às eleições do próximo domingo, 59 por cento dos inquiridos atribuíram a vitória ao atual presidente francês. Já 39 por cento considerou que foi Marine Le Pen a vencedora. Em cada dez pessoas que responderam que o vencedor foi Macron, seis votaram anteriormente em Jean-Luc Mélanchon, o candidato da extrema-esquerda francesa.
Ainda assim, durante o debate, Macron não conseguiu dissipar uma imagem de arrogância que se enraizou durante sua presidência. Ele interrompeu a sua adversária repetidamente com frases como "A senhora Le Pen é muito mais disciplinada do que há cinco anos" e "Pare de confundir tudo".
De acordo com uma sondagem, 50 por cento dos franceses acharam que Macron demonstrou arrogância durante o debate, enquanto apenas 16 por cento acharam que Le Pen foi presunçosa.
Os dois candidatos vão disputar a segunda volta das eleições francesas no próximo dia 24. Macron venceu a primeira volta com 27,6 por cento dos votos, enquanto a candidata da União Nacional conseguiu 23,41 por cento dos votos.
c/ agências