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Space Force acusa Rússia lançar míssil anti-satélite
O Comando Espacial dos Estados Unidos (USSF - Unided States Space Force) adiantou esta quinta-feira que a Rússia terá testado ontem uma arma anti-satélite. Uma ação que, do ponto de vista estratégico-militar norte-americano, está a tornar “o espaço um domínio de guerra”.
De acordo com fontes norte-americanas, este teste anti-satélite é já o terceiro deste ano.
Para o Comando Espacial, estas ações não só estão a endurecer as relações militares entre as duas nações. Adverte também que tais manobras estão a colocar em risco centenas de satélites de comunicação e de investigação em órbita terrestre.
Os norte-americanos alegam que os testes efetuados pela Rússia, com recurso a um míssil anti-satélite de ascensão direta (DA-ASAT), podem destruir pequenos satélites em órbita baixa da Terra.
Quando um satélite é atingido por um míssil DA-ASAT, o subsequente campo de destroços representa uma ameaça para outros satélites "e polui irrevogavelmente o domínio espacial", diz a USSF em comunicado.
"O teste persistente desses sistemas pela Rússia demonstra que as ameaças aos sistemas espaciais norte-americanos e aliados estão a avançar rapidamente."
Os programas de defesa espacial
Os relatos da criação de projectos de defesa militar espacial e em órbita terrestre não são novidade.
Foi nos anos de 1980 que surgiu em debate um projeto semelhante, quando a 23 de março de 1983 o Presidente Ronald Reagan apelou aos cientistas e engenheiros americanos para que desenvolvessem um sistema que tornaria as armas nucleares obsoletas.
Nascia assim o programa Strategic Defense Initiative Organization (SDIO ), mais conhecido pelo programa Star Wars.
Créditos: Association Press
Este conceito criado em 1984, no Departamento de Defesa dos Estados Unidos, foi concebido para criar um ampla gama de armas avançadas, incluindo lasers, armas de feixe de partículas e sistemas de mísseis baseados no solo e no espaço.
A ideia principal era ter uma rede de defesa espacial contra futuros ataques terrestres ou de satélites inimigos contra os Estados Unidos.
Um programa militar secreto que se julga estar ativo. O rosto mais visível deste programa é o Space-Shuttle militar X-37, debaixo de uma organização secreta militar sob a insígnia DARPA.
Créditos: US Air Force
Mais recentemente e nesta última Presidência, o fantasma destes projetos voltou a estar bem visível com a criação, em 2019, por parte da Administração Trump, da Space Force (USSF).
Pode ler-se no site oficial da USSF que este projecto "é um serviço militar que organiza, treina e equipa forças espaciais a fim de proteger os interesses dos EUA e aliados no espaço e fornecer capacidades espaciais à força combinada. As responsabilidades do USSF incluem o desenvolvimento de profissionais espaciais militares, a aquisição de sistemas espaciais militares, o amadurecimento da doutrina militar para o poder espacial e a organização de forças espaciais para apresentar aos nossos Comandos de Combate”.
Uma forte razão para a Rússia não cruzar os braços e colocar em prática uma série de ensaios, de forma a mostrar que também tem o seu próprio sistema de defesa e bem ativo.
A Rússia já demonstrou ter dois tipos diferentes de armas espaciais: mísseis DA-ASAT, que são lançados do solo, e um sistema baseado no espaço ao qual o USSF se refere como ASAT co-orbital.
De acordo com a USSF , o teste anti-satélite anterior da Rússia, realizado a 15 de julho, foi o último tipo de missão, durante a qual o satélite russo Cosmos 2543 "injetou um novo objeto em órbita" e "conduziu um teste não destrutivo" de uma arma anti-satélite.
Reuters/DR
Isto acontece cerca de dois meses depois de a Força Espacial norte americana começar a fazer o rastreio de dois satélites russos que perseguiam um satélite espião dos EUA em órbita - um comportamento que o comandante da Força Espacial, general John "Jay" Raymond descreveu como "incomum e perturbador".
"A Rússia transformou o espaço num domínio de guerra, testando armas baseadas no espaço e em terra destinadas a visar e destruir satélites", disse Dickinson. "Este facto é inconsistente com as afirmações públicas vindas de Moscovo, de que a Rússia procura prevenir conflitos no espaço. O espaço é fundamental para todas as nações. É um interesse comum criar as condições para um ambiente espacial seguro, estável e operacionalmente sustentável", refere.
Um jogo perigoso que relembra um passado bem presente, o da não esquecida "Guerra Fria".
China e Índia com programas de defesa espacial Terra-Espaço Muito embora se olhe apenas para os dois grandes rivais – Rússia e Estados Unidos – no poderio militar estratégico, quer no solo quer agora no espaço, existem outros países, embora mais modestamente, que também preparam programas próprios.
Por exemplo, a Índia, em 2019: através do seu primeiro-ministro, Narendra Modi, o país revelou, em vésperas de eleições, que tudo faria para se tornar poderoso.
Como prova revelou um teste com o míssil, ocorrido em combates aéreos com o Paquistão, demonstrando toda uma carga simbólica que surge associada a esta façanha tecnológica. A missão destruidora de satélites foi baptizada de Shakti, que significa energia ou poder.
Já a China, pioneira neste tipo de ação militar secreta, surpreendeu o mundo quando em 2007 desfez um satélite obsoleto que estava em órbita a 800 quilómetros de altitude.