Starship testa hoje o primeiro voo para alcançar a órbita terrestre

Starship testa hoje o primeiro voo para alcançar a órbita terrestre

A empresa espacial de Elon Musk - SpaceX - quer esta segunda-feira colocar na história da indústria espacial mais uma bandeira, ao tentar, hoje, um dos voos mais importantes do módulo espacial StarShip. Depois de 13 missões de teste realizadas em trajetórias suborbitais e, pela primeira vez, a SpaceX quer colocar a nave Starship em órbita terrestre.

Nuno Patrício - RTP / Adicionar como fonte informativa
A missão, designada Starship Flight 14, tem a janela de lançamento a partir das 13h15 (hora de Lisboa) | Foto: Steve Nesius - Reuters

A missão, designada Starship Flight 14, tem a janela de lançamento a partir das 13h15 (hora de Lisboa) e deverá descolar da base de Starbase, no Texas, para permanecer cerca de 10 horas no espaço.

De acordo com a missão, a nave vai realizar cerca de seis órbitas à Terra antes de regressar, através de uma reentrada controlada, uma amaragem sobre o Oceano Pacífico.

Mais do que um simples voo de teste, esta será também a primeira missão da Starship com uma carga operacional. A nave tem no seu interior 26 satélites Starlink V3 - uma nova geração de mais de 100 mil satélites da rede de internet espacial da SpaceX - concebida para aumentar significativamente a capacidade e velocidade de comunicações da constelação em atual funcionamento.

Imagem gráfica da geração Starlink V3 | Créditos Starlink/SpaceX
Ao contrário dos voos anteriores, a missão de hoje deverá elevar a nave até uma altitude aproximada de 275 quilómetros, permitindo-lhe completar cerca de seis órbitas à Terra ao longo de uma missão com duração próxima das dez horas.

O sucesso desta missão, se tudo correr como previsto, poderá representar um marco na evolução do maior e mais poderoso sistema de lançamento alguma vez construído.

Quem segue de perto esta nova etapa é Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, que fala num momento disruptivo.

“Este 14.º voo vai ser aquilo que é a maturidade deste lançador pesado. Só para termos uma ideia, estamos a lançar para o espaço cerca de 100 toneladas, do que se considera carga útil.”

Um transporte bastante significativo, que vai enfrentar a dura barreira da atmosfera terrestre, e abrir que pode portas à colocação de grandes objectos no espaço, bem como baixar significativamente os custos da colocação de objetos no espaço, como por exemplo, data centers em órbita terrestre.
Com cerca de 124 metros de altura, a Starship foi concebida para ser totalmente reutilizável e é vista por Elon Musk como a plataforma que poderá suportar futuras missões à Lua, ao programa Artemis da NASA e, a longo prazo, transportar seres humanos para Marte.

Depois de anos de desenvolvimento, sucessos parciais e algumas explosões “espectaculares”, que foram também imagem de marca da SpaceX, o voo de hoje poderá assinalar a transição da Starship de veículo experimental para uma verdadeira nave operacional.

Até agora, a SpaceX testou se a Starship conseguia chegar ao espaço. A partir de hoje, começa a testar se a nave consegue trabalhar no espaço.

 
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ssista aqui ao lançamento da missão StarShip flight 14

Órbita. O desafio ainda mais complexo


Para permanecer em órbita, a Starship terá de acelerar até velocidades próximas dos 28 mil quilómetros por hora. Só depois de confirmar que todos os sistemas críticos estão operacionais será executada a manobra final de inserção orbital.

No final da missão, a nave deverá realizar uma manobra de desorbitação utilizando um do seus motores Raptor, iniciando depois a reentrada atmosférica antes de amarar no Oceano Pacífico, a oeste do Chile.

Uma história de explosões, aprendizagem e persistência

O desenvolvimento da Starship tem sido tudo menos linear.

Desde os primeiros protótipos até às missões mais recentes, vários testes terminaram com explosões. Apesar disso, e como na natureza humana, cada falha deu a conhecer os erros e dados que permitiram melhorar motores, estruturas, software de voo e sistemas de proteção térmica.

Mais recentemente, a SpaceX conseguiu demonstrar capacidades e realizar feitos jamais conseguidos na história dos lançadores espaciais: separação dos estágios, reacendimentos de motores no espaço, testes de libertação de satélites e reentradas atmosféricas cada vez mais controladas.

O voo de hoje representa a transição da fase experimental para uma etapa mais próxima da utilização operacional.

Starship. Um foguetão que Musk quer como transporte para a exploração espacial


Para Elon Musk, a Starship não é apenas um veículo espacial. É a peça central de uma estratégia que inclui a expansão da rede Starlink, futuras missões lunares para a NASA, o transporte de grandes infraestruturas para órbita e, a longo prazo, a criação de colónias humanas em Marte.

Para o presidente da Agência Espacial Portuguesa além da rede de satélites que vão permitir melhores comunicações com interfases orbitais, este lançador pode abrir uma “auto-estrada para voos mais frequentes, da terra para cintura orbital”, depois num futuro próximo e já em articulação com a NASA, a Lua e mais tarde a exploração espacial profunda.

Se a missão for bem-sucedida, a SpaceX demonstrará pela primeira vez que a Starship consegue entrar em órbita, operar nesse ambiente e regressar de forma controlada.

Mas falhar continua a estar na equação e se assim for, será mais um teste à resistência e resiliência deste novo veículo espacial.
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