Cultura
Steve McQueen: "Num momento em que a verdade não conta, interessa-me o Amor"
A nova criação de Steve McQueen, intitulada "66-76-26", concebida especificamente para o Museu Guggenheim de Bilbao, privilegia o som despindo de todos os instrumentos duas gravações históricas da canção "Wild is The Wind" por Nina Simone e David Bowie, separadas por dez anos: 1966 e 1976.
Aos jornalistas, Steve McQueen revela o que sentiu ao ouvir as duas versões: "é daquelas coisas em que simplesmente senti que, juntando estas duas coisas, estas duas pedras, se cria fogo. E sei com certeza que ficariam extraordinários, felizes com esta colaboração, com este dueto. E isso eleva a música a outro nível, de certa forma".
O cineasta e artista plástico acredita que "cada um levará a sua narrativa quando entrar no espaço" e que poderá ser "a sua banda sonora".
Amor em tempo de pós-verdade
Questionado sobre a relação do trabalho com o tempo que vivemos, Steve McQueen afirma que "não quer parecer antiquado, nem hippie, mas o amor precisa de ser recordado. Há uma coisa que nos resta, quando a verdade já não é válida, quando não confiamos nos políticos, nem sequer nos nossos amigos, há uma coisa que nos pode unir: o amor".
Antes da abertura desta instalação, Steve McQueen pediu que todos desliguem ao entrar no espaço, adianta que "na maior parte das exposições convidam-nos a usar os olhos, aqui somos chamados a usar os ouvidos e desligar do mundo lá fora".
Paralelamente à exposição, com curadoria de Lekha Hileman, vai será apresentado um ciclo de filmes dedicado à obra cinematográfica de McQueen. Alguns alcançaram sucesso internacional, como "12 Anos Escravo", vencedor de três Óscares em 2013.
Steve McQueen nesceu em Londres, recebeu o Prémio Turner em 1999 e já apresentou trabalho em algumas das principais instituições e eventos de arte contemporânea. Como cineasta, realizou filmes como "Hunger", "Shame" ou "Blitz", a sua mais recente longa-metragem.
Também já se dedicou à televisão com a série "Small Axe" uma minissérie britânica inspirada nas experiências da vida real da comunidade das Índias Ocidentais de Londres. A sua obra aborda temas relacionados com o poder, a memória, a violência, o racismo, a representação e as estruturas sociais.