Strauss-Kahn aguarda julgamento em prisão preventiva

Dominique Strauss-Kahn passou a noite na prisão de Rikers Island em Nova Iorque. A juíza do tribunal criminal de Nova Iorque recusou o pedido de caução, apresentado pelos advogados do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), por considerar haver perigo de fuga para França. Strauss-Kahn fica numa cela individual e sob vigilância 24 horas, para evitar ser atacado por outros prisioneiros.

RTP /
Strauss-Kahn é acusado de violação e tentativa de rapto Andrew Gombert, EPA

Os advogados de Strauss-Kahn pediam a fixação de uma caução de um milhão de dólares (cerca de 700 mil euros) e a garantia que o diretor-geral do FMI iria aguardar julgamento na cidade de Nova Iorque.

A juíza Melissa C. Jackson entendeu que o facto de Strauss-Kahn se encontrar num avião quando foi detido “levanta algumas preocupações”. A acusação nota que Strauss-Kahn fez uma chamada telefónica para o hotel a pedir que lhe entreguem o telefone, esquecido no quarto. Nessa gravação, o diretor-geral do FMI parece apressado e mesmo “em pânico”.

Após a audiência, o advogado Benjamin Brafman garantia a inocência de Strauss-Kahn e admitia a possibilidade de recorrer da recusa de caução. A defesa argumenta que as provas forenses “não serão consistentes com um encontro forçado” e acrescenta que “foram encontradas peças significativas” que apontam para a exoneração de Strauss-Kahn. A próxima audiência de Strauss-Kahn é na sexta-feira.

O diretor-geral do FMI é acusado de agressão sexual a uma empregada do hotel de luxo onde estava hospedado, próximo da Times Square. De acordo com a polícia, “a vítima fez uma descrição muito poderosa e detalhada de um ataque sexual violento”, tendo a mulher de 32 anos recebido assistência no hospital.

Strauss-Kahn não tem imunidade diplomática, uma vez que estava nos Estados Unidos por motivos pessoais, suportando as suas despesas refere o FMI, citado pela agência Reuters. O diretor-geral do FMI tinha um almoço marcado com a filha, que está a estudar em Nova Iorque. De acordo com o porta-voz da instituição, poderia ser averiguada a proteção caso estivesse de viagem por motivos profissionais.

O diretor-geral do FMI vai continuar detido no principal complexo prisional de Nova Iorque, uma ilha com 160 hectares, que alberga cerca de 14 mil reclusos. Foram determinadas medidas especiais de proteção. Em vez de integrar os dormitórios de 50 pessoas, Strauss-Kahn vai ficar numa cela individual. Terá vigilância 24h, incluindo durante os passeios, que serão acompanhados por um guarda prisional. Poderá receber três visitas semanais, além das do advogado, e terá uma hora diária para prática de exercício físico.

Partido Socialista francês reúne-se esta manhã

A detenção de Dominique Strauss-Kahn, antigo ministro das finanças e militante socialista, está a causar fortes perturbações na política daquele país.

Strauss-Kahn é apontado como o mais provável candidato da esquerda às presidenciais francesas, com as sondagens a indicarem que poderia derrotar Nicolas Sarkozy.

A direção do partido socialista reúne-se esta manhã, sob a liderança da primeira secretária Martine Aubry, para analisar as consequências da detenção de Strauss-Kahn.

FMI vai continuar a “seguir os acontecimentos”

O conselho de administração do FMI teve, ontem à noite, uma “reunião informal” para debater as consequências da detenção do diretor-geral da instituição e decidiu que não vai tomar nenhuma medida de imediato.

"O FMI e o seu conselho de administração vão continuar a seguir os acontecimentos", lê-se num comunicado da diretora de Relações Externas, Caroline Atkinson.

"O conselho de administração foi posto ao corrente das acusações penais que foram dirigidas ao atual diretor-geral, depois de uma viagem privada a Nova Iorque", referiu.

O encontro foi conduzido pelo primeiro-adjunto de Strauss-Kahn, o norte-americano John Lipsky, que assume a liderança interina da instituição, e pelo diretor jurídico do FMI, Sean Hagan.
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