Sudão. Ataque a hospital faz dez mortos, incluindo sete profissionais de saúde
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmou hoje a morte de pelo menos 10 pessoas, incluindo sete profissionais de saúde, num ataque com drone na quinta-feira contra um hospital no estado do Nilo Branco, no sul do Sudão.
"Ontem [quinta-feira], 02 de abril, um ataque com drone, supostamente realizado pelas Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), atingiu o Hospital Al Jabalain, no estado do Nilo Branco. Houve dois impactos: um na sala de cirurgia e outro na maternidade", disse a coordenadora de emergência do MSF para o Sudão, Esperanza Santos.
Em comunicado, a responsável descreveu a situação como "inaceitável" e revelou que resultou na morte de pelo menos sete profissionais de saúde e que alguns dos quais tinham trabalhado, anteriormente, com a MSF.
"A gravidade do ataque é ainda maior porque ocorreu durante uma campanha de vacinação infantil", afirmou Esperanza Santos, acrescentando que a MSF forneceu combustível para que quatro ambulâncias do Ministério da Saúde pudessem transportar pacientes de Al Jabalain para Kosti, a cerca de 80 quilómetros de distância.
Já as autoridades do Nilo Branco anunciaram na quinta-feira que pelo menos 12 pessoas morreram, incluindo cinco crianças.
Em 20 de março, um ataque realizado pelo Exército Sudanês contra o Hospital Al Daein, em Darfur Oriental (Sudão Ocidental), resultou na morte de 70 pessoas, incluindo 15 crianças.
"Condenamos veementemente esses repetidos ataques à saúde, que se intensificaram alarmantemente nas últimas semanas. As instalações de saúde, os profissionais de saúde e os pacientes devem ser protegidos em todos os momentos. Apelamos urgentemente a todas as partes para que ponham fim imediatamente a esta espiral de violência contra as instalações médicas", termina a nota da organização.
Em relação à atribuição deste ataque às RSF, o grupo paramilitar negou na quinta-feira à noite "as acusações propagadas" pelo Exército de que seria responsável pelo ataque.
"O ataque mencionado na área de Al Jabalain fez parte de uma encenação orquestrada por elementos afiliados ao Exército e seus batalhões no sul do Nilo Branco, numa tentativa desesperada de fabricar acusações e desacreditar as nossas forças, promovendo uma narrativa falsa", referiram, em comunicado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, em 21 de março, que o número total de mortes decorrentes de ataques a instalações de saúde durante o conflito no país africano chegou a 2.036, num total de 213 incidentes desde o início da guerra, há quase três anos.
A guerra civil no Sudão, que eclodiu em abril de 2023 devido a desacordos em torno da integração do grupo paramilitar nas Forças Armadas, resultou já na morte de dezenas de milhares de pessoas.
O número pode ultrapassar 400.000, segundo os Estados Unidos.
Este conflito, que mergulhou o país numa crise humanitária considerada das piores do mundo, interrompeu a transição que havia começado após a queda do regime de Omar al-Bashir em 2019, que já estava enfraquecido após o golpe que depôs o então primeiro-ministro Abdalla Hamdok.
Há registo de milhões de deslocados e refugiados, bem como alarme internacional devido à propagação de doenças e aos danos em infraestruturas críticas, o que dificulta o atendimento a centenas de milhares de pessoas afetadas.