Sudão é "triste exemplo" da "indiferença" e da "impunidade" - ONU

O Sudão, devastado por mais de dois anos de guerra entre generais rivais, tornou-se um "triste exemplo" de "indiferença" e "impunidade" no mundo, denunciou hoje o diretor do Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários, Tom Fletcher.

Lusa /

"A comunidade internacional tem dito repetidamente que vai proteger o povo do Sudão. O povo do Sudão deveria perguntar-nos se vamos começar a cumprir essa promessa, quando e como. Porque o seu país tornou-se um triste exemplo dos dois temas do momento: a indiferença e a impunidade", afirmou em comunicado.

"Estamos mais uma vez a dar o alarme. Esta é a maior crise humanitária do mundo. Trinta milhões de pessoas - metade da população - precisam de ajuda vital", insistiu, descrevendo uma guerra "impiedosa", com civis "encurralados e a morrer à fome".

"Os bombardeamentos indiscriminados, os ataques com `drones` [aparelhos aéreos não tripulados] e outros ataques aéreos estão a matar, ferir e deslocar um número impressionante de pessoas. O sistema de saúde está a ser destruído e a cólera, o sarampo e outras doenças estão a alastrar", frisou.

"O custo humano desta guerra, incluindo a terrível violência sexual, tem sido descrito repetidamente, mas estas palavras não se traduzem numa verdadeira proteção dos civis ou num acesso seguro, desimpedido e sustentável para os humanitários", acrescentou, recordando o recente ataque com vítimas mortais a um comboio humanitário.

"Apelamos aos que têm influência para que acelerem a marcha (...) Trabalhem mais para alcançar uma paz duradoura, inclusiva e justa", acrescentou o responsável da ONU, apelando também a um aumento do financiamento da ajuda humanitária.

Desde abril de 2023, a guerra opõe o exército liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhane, líder de facto do país desde o golpe de 2021, às Forças de Apoio Rápido (RSF) paramilitares lideradas pelo seu antigo adjunto, o general Mohamed Hamdane Daglo.

Num relatório divulgado hoje, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados atualizou o número de refugiados e deslocados sudaneses para mais de 14,3 milhões no final de 2024, devido aos conflitos no país, classificando esta como "a maior crise mundial de deslocações".

Tópicos
PUB