Sudão. ONU alarmada com rápido aumento de mortos entre a população civil

As Nações Unidas alertaram hoje para o rápido aumento do número de mortes de civis no Sudão, responsabilizando as partes em conflito pela sua incapacidade de proteger a população.

Lusa /

"Os ataques indiscriminados, bem como as ameaças e os ataques contra civis, devem cessar imediatamente", afirmou Seif Magango, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O exército sudanês, que está em guerra com as paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) desde abril de 2023, tem conduzido uma ofensiva em várias frentes nas últimas semanas para recuperar o controlo total da capital, Cartum.

O Gabinete dos Direitos Humanos da ONU afirmou ter podido documentar pelo menos 275 mortes de civis entre 31 de janeiro e 05 de fevereiro, em resultado de bombardeamentos de artilharia, ataques aéreos e ataques com `drones` [aparelhos aéreos não-tripulados] em Cartum, bem como no Darfur Norte, Darfur Sul, Cordofão Norte e Cordofão Sul.

Estes números são mais de três vezes superiores ao "já elevado número" de 89 mortes registadas na semana anterior, sublinhou.

A entidade sublinha que é provável que o número real de mortos seja muito mais elevado do que os que está em condições de verificar.

"O rápido aumento do número de mortes de civis sublinha os graves riscos que estes correm devido ao contínuo fracasso das partes em conflito e dos seus aliados em proteger os civis", vincou Seif Magango.

"As Forças Armadas sudanesas e as Forças de Apoio Rápido - e os movimentos e milícias seus aliados - devem respeitar as suas obrigações ao abrigo do direito internacional e tomar medidas concretas para proteger os civis, incluindo os trabalhadores humanitários e os defensores dos direitos humanos", acrescentou.

A guerra no Sudão matou dezenas de milhares de pessoas, desalojou 12 milhões e deixou o país à beira da fome, na que é descrita como a pior tragédia humanitária atual.

O conflito tem as suas raízes nas fortes divergências sobre o processo de integração dos paramilitares nas forças armadas, uma situação que provocou o descarrilamento da transição iniciada após o derrube do regime ditatorial de Omar Hassan al-Bashir, em 2019.

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