Sudão. ONU alerta para "catástrofe" em El-Obeid

Sudão. ONU alerta para "catástrofe" em El-Obeid

O Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou hoje para a "catástrofe" que se está a desenrolar em El-Obeid, uma importante cidade sudanesa cercada por paramilitares.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

El-Obeid está cercada há vários meses pelas Forças de Apoio Rápido (RSF,na sigla em inglês), paramilitares que estão em guerra com o exército regular do Sudão desde abril de 2023.

"Os sinais que vêm de El-Obeid são claros e inequívocos: uma nova catástrofe de direitos humanos está a desenrolar-se no Sudão, desta vez na capital do estratégico estado do Cordofão do Norte", disse Türk na abertura de um debate urgente sobre o Sudão no Conselho de Direitos Humanos em Genebra.

Este debate foi solicitado por carta à presidência do Conselho de Segurança pelo Reino Unido com o apoio da Alemanha, Irlanda, Países Baixos e Noruega, que apresentarão um projeto de resolução aos 47 Estados-membros apelando a uma "desescalada imediata".

Há vários dias que a ONU, as Organizações Não-Governamentais (ONG) e vários governos estão preocupados com um possível ataque iminente a El-Obeid, semelhante ao que levou à captura de Al-Fashir no ano passado, cidade no Darfur onde as Forças de Apoio Rápido (RSF) são acusadas de cometer inúmeras atrocidades.

Türk indicou que algumas pessoas estão a vender os seus pertences para fugir da cidade, mas que o custo do transporte e os ataques nas estradas estão a impedir muitas de partir. Aqueles que permanecem em El-Obeid correm o risco de detenção arbitrária, disse, enquanto os que fugiram de áreas controladas pelas RSF e pelos seus aliados são frequentemente acusados de colaboração, "tudo isto num contexto de crescente discurso de ódio".

"Este é um alerta vermelho que deve chegar aos chefes de Estado e de governo de todo o mundo. Os seus telefones devem tocar sem parar nos próximos dias e semanas com ideias sobre como prevenir atrocidades em El-Obeid e noutros locais (...), onde os mesmos métodos estão a ser utilizados", declarou.

O responsável pediu ainda que se abordasse a "economia de guerra", sublinhando que "tanto os atores nacionais como os estrangeiros estão a lucrar com a carnificina".

"Durante 18 meses, os civis têm vivido em condições semelhantes a um cerco, sujeitos a incessantes ataques de drones, enquanto as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido se enfrentam pelo controlo de certas áreas", lamentou Türk.

"Em toda a região (...), os drones lançados por ambos os lados atingiram repetidamente mercados, escolas, postos de abastecimento de combustível, infraestruturas de água e veículos civis", continuou.

O Gabinete do Alto Comissariado documentou 15 ataques com drones em El-Obeid e nos arredores entre 06 e 28 de junho, que mataram pelo menos 45 civis e feriram 41, embora se estime que o número real de vítimas civis seja provavelmente superior.

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