Suécia recorre da decisão britânica de libertar Assange

O tribunal de Westminster, em Londres, decidiu hoje libertar Julian Assange, fundador do site Wikileaks, sob caução. Assange terá o passaporte apreendido, ficará sujeito a horas de recolher obrigatório e usará pulseira electrónica. As autoridades suecas anunciaram que vão recorrer desta decisão, pelo que a eventual libertação de Julian Assange terá de esperar pelo menos mais 48 horas até que o juiz britânico tome uma decisão sobre o recurso.

RTP /
Apoiantes de Assange e do Wikileaks manifestam-se frente à embaixada sueca em Londres Facundo Arrizabalaga, EPA

A audiência decorreu esta tarde e o tribunal impôs uma caução de 200.000 libras (235 mil euros), para deixar sair da cadeia o fundador do Wikileaks.

Assange terá também de usar uma pulseira electrónica, viver num endereço registado e apresentar-se todas as noites à polícia, para além de observar, cada dia, dois períodos de quatro horas de recolher obrigatório

Em apoio do arguido, diversas personalidades ofereceram-se como fiadoras e já foi prometida uma verba de 240 mil libras (cerca de 235 mil euros) para pagar a caução. Algumas também ofereceram os seus domicílios, para que a prisão domiciliária pudesse lá ter lugar. Os advogados de Assange citaram ainda outros apoios financeiros internacionais.

O realizador Michael Moore foi uma das pessoas que se juntou hoje a uma lista de personalidades da área dos média que ofereceu apoio financeiro para o pagamento da caução de Assange. Na semana passada, o jornalista britânico John Pilger e o realizador Ken Loach fizeram oferta semelhante.

Segundo declarações do advogado de Assange, e apesar das promessas de apoio financeiro, poderão decorrer vários dias até que seja possível reunir as 240 mil libras que permitirão a libertação do seu constituinte.

No início do julgamento de hoje, e numa atitude inédita, o juiz disse aos jornalistas presentes que poderiam "twittar" durante a audiência. Desde que "seja silencioso e não perturbe ninguém", foi a única condição posta, segundo o jornalista Alexi Mostrous do "The Times". O Twitter é uma rede social onde os seus utilizadores podem enviar mensagens até 140 caracteres para serem lidas na Internet.

A próxima aparição em tribunal de Julian Assange está marcada para 11 de Janeiro e uma audição plenária está prevista para 7 e 8 de Fevereiro.
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