Suécia. Resultados das legislativas conhecidos só na quarta-feira

Depois de um domingo de eleições, a Suécia acordou esta segunda-feira num clima de incerteza política, visto que nenhum dos candidatos garantiu, para já, uma clara maioria legislativa. Os resultados finais vão ser anunciados na quarta-feira, para incluir votos do estrangeiro e antecipados, indicou a autoridade eleitoral do país. Inicialmente, as projeções apontavam para uma vitória dos sociais-democratas, da atual primeira-ministra Magdalena Andersson, mas nas últimas horas a oposição de direita parece ter passado à frente.

RTP /
Ulf Kristersson, líder do Partido Moderado Reuters

"Não teremos um resultado final esta noite", declarou a primeira-ministra cessante, Magdalena Andersson, cujo Partido Social-Democrata da Suécia (S/SAP) surgiu nas primeiras projeções em primeiro lugar, com 30,5 por cento dos votos.

Os primeiros resultados provisórios sugeriam que a chefe do Executivo da Suécia podia ter vencido as Eleições Legislativas e, dessa forma, assegurado um novo mandato. O canal sueco TV4 apontava 50,6 por cento dos votos conquistados pelo bloco de partidos do centro-esquerda, incluindo os sociais-democratas. A população demonstrou, contudo, apoiar os partidos da oposição, tendencialmente à direita, e nas últimas o bloco de direita formado pelo Partido Moderado, Democratas Suecos, Democratas Cristãos e Liberais passou para a frente, ainda que por uma margem muito ligeira.

Com mais de 94 por cento dos votos apurados, a oposição de centro-direita que inclui o segundo maior partido da Suécia, os Democratas Suecos, teve uma vantagem sobre os social-democratas e seus aliados do bloco de centro-esquerda, liderado pela primeira-ministra.

Os resultados foram tão próximos que a comissão eleitoral anunciou que os resultados finais não serão conhecidos antes de quarta-feira.

“São incrivelmente próximos. É basicamente um sorteio com 50-50 para ambos os lados. Então, não sabemos neste momento", disse à imprensa sueca Zeth Isaksson, sociólogo da Universidade de Estocolmo.
Mudanças no Riksdag
Os resultados provisórios indicam um empate técnico e podem impedir os sociais-democratas de garantir um novo acordo de coligação ou com apoios pontuais no parlamento do Partido Verde, do Partido do Centro e do Partido de Esquerda.

Mas o maior vencedor da noite foi o populista anti-imigração Democratas Suecos, que teve até agora quase 21 por cento dos votos, o melhor resultado de todos os tempos. Dirigido por Jimmie Akesson, o SD pode tornar-se o primeiro partido da direita, mas também o segundo da Suécia.

Os analistas consideram que partido ganhou com as promessas de condenar e diminuir tiroteios e atos de violência de gangues que têm abalado a segurança na Suécia. Embora tenha raízes no movimento nacionalista branco, nos últimos anos o partido começou a expulsar extremistas e começou a mudar algumas posições, o que lhe valeu para conquistar mais eleitores este domingo.

"Se houver uma mudança de poder, teremos uma posição central. A nossa ambição é sentarmo-nos no Governo", afirmou Akesson após as primeiras projeções. "Estou muito feliz e orgulhoso do que fizemos juntos para o conseguir".

Os partidos de centro-direita podem conquistar uma estreita maioria de 175 assentos no Parlamento da Suécia de 349, derrotando o bloco de centro-esquerda, liderado pelos sociais-democratas de Magdalena Andersson, a quem a autoridade eleitoral sueca atribui 174 assentos parlamentares.

O líder do Partido Moderado, Ulf Kristersson, pode assim tornar-se primeiro-ministro, enquanto os Democratas Suecos, de extrema-direita e anti-imigração, serão o maior partido de direita, conquistando pela primeira vez influência direta na política do país nórdico.

"Temos muita incerteza no mundo à nossa volta e a polarização política tornou-se demasiado grande, mesmo na Suécia. Neste contexto, quero unir-me, não dividir", disse Kristersson no domingo à noite. “Independentemente do que aconteça esta noite, a coisa mais importante para mim, para nós, para todos os Democratas Suecos por todo o país, são os malditos 175 assentos parlamentares para que possamos finalmente trazer uma mudança de poder e a nossa política pró-Suécia”.

Os sociais-democratas, que estão no poder na Suécia desde 2014, têm sido o maior partido e estão em desvantagem por pouco. Anderson considerou que os sociais-democratas tiveram um bom resultado: "o nosso apoio aumentou e é evidente que a social-democracia sueca é forte".

Já o Partido do Centro conquistou 6,7 por cento, seguido pelo Partido de Esquerda com 6,6 por cento), o Partido Democrático Cristão da Suécia com 5,4 por cento, o Partido Verde 5 por cento e o Partido Liberal da Suécia com 4,6 por cento.

As mortes em acertos de contas entre gangues criminosos estão no topo das preocupações da população da Suécia, seguidas dos cuidados de saúde e da imigração - temas que favoreceram a subida do partido nacionalista e anti-imigração Democratas Suecos, até há poucos anos isolado na cena política do país escandinavo.

Recorde-se que a Suécia está num processo de adesão à NATO e que assumirá a presidência rotativa do Conselho da União Europeia a 1 de janeiro. O país é governado desde 2014 pelos sociais-democratas, o principal partido do país desde a década de 1930.

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