Suíços rejeitam restrições à lei das armas

A maioria dos suíços rejeitou hoje em referendo a proposta que visava um controle mais apertado sobre a posse de armas. Os resultados finais mostram que vinte dos 26 cantões e 56,3 por cento dos votantes disseram “não” ao plano, pelo que os reservistas que compõem o exército do país vão poder a continuar a guardar em casa as armas de guerra que lhes foram distribuídas.

António Carneiro, RTP /
Cartaz dos apoiantes do "Não" à proposta de limitações de armas na Suíça. Diz: Monopólio das armas para os criminosos? Peter Klaunzer, EPA

Os apoiantes da proposta pretendiam que as armas militares fossem guardadas em armarias e que os atuais detentores de armas fossem sujeitos a controlos mais estritos. Já os opositores afirmavam que a mudança na lei enfraqueceria a confiança no exército.

Para a proposta ser aprovada teria de ter o apoio tanto da maioria dos cantões, como dos cidadãos. Genebra e Basileia foram dos votaram maioritariamente sim, mas os cantões onde se fala italiano e alemão derrotaram os defensores da proposta na parte francófona do país.

Apoiantes dizem que lançaram o debateOs apoiantes da proposta derrotada incluíam organizações de médicos, grupos femininos e associações da polícia. Afirmam que, pelo menos, ela teve a virtude de lançar o debate na sociedade suíça.

“Conseguimos muito ao lançar esta iniciativa (…) há uma consciência cada vez maior do perigo das armas de fogo” disse numa declaração a organização feminina Alliance F.

Já o “Partido do Povo Suíço”, de extrema direita, afirma que o resultado do referendo é “a afirmação que o povo suíço faz da sua orgulhosa tradição de tiro”.

“Um exército desarmado é um exército enfraquecido e o povo suíço reconheceu isso. Com o “não” de hoje à iniciativa das armas, [o povo] claramente rejeitou estes abolicionistas do exército” disse o partido numa declaração.
 
Ninguém sabe ao certo quantas armas háCalcula-se que haja entre dois a três milhões de armas de fogo a circular na Suíça. Ninguém sabe ao certo o número exato, pois não existe no país um registo de porte de armas.

Desde a Segunda Guerra Mundial que os soldados no ativo e os que se reformaram são autorizados a guardar em suas casas as armais distribuídas pelo Estado.

Para além das espingardas de assalto automáticas que todos os reservistas têm em casa, existem milhares de caçadeiras e pistolas.

Recentemente alguns crimes mediáticos como o assassínio da estrela de Ski Corinne Rey-Bellet, abatida a tiro pelo ex-marido em 2006, vieram aumentar o apoio a leis mais estritas de porte de armas, mas o facto de o exército suíço ser uma das instituições nacionais torna controversa qualquer proposta de limitação.

A maior taxa de suicídios da EuropaEmbora a percentagem de crimes violentos na suiça seja baixa pelos padrões europeus, o país tem a mais alta taxa de suicídios da Europa. Os defensores da proposta argumentavam que se as armas dos soldados fossem guardadas em armarias, a taxa de suicídios seria reduzida.


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