Sul-coreano atravessa ilegalmente fronteira militarizada até à Coreia do Norte

É raro haver "desertores" de origem sul-coreana a atravessar a fronteira altamente militarizada com a Coreia do Norte, mas no domingo Seul anunciou que uma pessoa não identificada foi vista a cruzar a zona fronteiriça que divide os dois países.

Inês Moreira dos Santos - RTP /
KCNA/ Reuters

As autoridades sul-coreanas avisaram Pyongyang de que foi vista uma pessoa a cruzar a Linha de Demarcação Militar (MDL) em direção à Coreia do Norte, pela zona leste, na noite de sábado.

As imagens das camaras de vigilância detetaram o individuo não identificado a escalar uma cerca alta de arame farpado por volta das 18h40 de sábado. Mas a infração passou despercebida aos militares até às 21h20. Segundo as gravações, o sul-coreano só conseguiu chegar a solo norte-coreano pelas 22h40.

As tropas detetaram primeiro movimento dentro da Zona Desmilitarizada (DMZ), a faixa de quatro quilómetros de largura que separa os dois países e que por sua vez é dividida em dois pela Linha de Demarcação Militar (MDL) e, depois, ativaram a segurança para tentar capturar a pessoa mas sem sucesso.

“Confirmamos que a pessoa cruzou a fronteira da Linha de Demarcação Militar por volta das 22h40 e desertou para o Norte”, informou o Estado-Maior Conjunto da República da Coreia do Sul, em comunicado.

Até ao momento, as autoridades não conseguiram identificar a pessoa nem confirmar se está viva.

"Lançámos uma missão para capturar a pessoa na DMZ. Mas devido às condições geográficas, incluindo o terreno montanhoso, falhamos na tentativa".
Pyongyang não responde
É ilegal a travessia de fronteiras entre as Coreias e, por isso, as autoridades sul-coreanas, após a tentativa de captura do desertor, informaram o exército norte-coreano do sucedido, através de uma linha de comunicação militar, para garantir a segurança do fugitivo. Contudo, até agora a Coreia do Norte não deu qualquer resposta.

Devido à pandemia da covid-19, a Coreia do Norte mantém um controle rígido da fronteira e emitiu ordens para disparar sob qualquer pessoa que se aproximar da fronteira. Este incidente ocorre depois de a Coreia do Sul ter reforçado o seu sistema de defesa de fronteira com um dos melhores equipamentos de vigilância do mundo.

Recorde-se que, em setembro de 2020, as tropas norte-coreanas mataram um oficial sul-coreano, que estava desaparecido no mar, alegando que o fizeram por causa das restrições da covid-19. E, dois meses anos, Kim Jong-un, líder norte-coreano, declarou emergência nacional e isolou uma cidade fronteiriça depois de um desertor que estava na Coreia do Sul ter tentado regressar a casa, afirmando ter sintomas da infeção por SARS-CoV-2.

Devido às restrições impostas por Pyongyang para combater a pandemia, o número de pessoas que tentou fugir da Coreia do Norte atravessando a fronteira para Sul diminuiu. A grande maioria dos norte-coreanos que fogem vai primeiro para a China antes de seguir para a Coreia do Sul, entrando geralmente através de outro país.

Seul ainda está a tentar determinar quem é a pessoa que atravessou a fronteira - se é um cidadão sul-coreano, um espião norte-coreano ou um desertor do Norte a tentar voltar para casa. Ao longo de anos de repressão na Coreia do Norte mais de 30 mil pessoas tentaram atravessar a fronteira e fugir para a Coreia do Sul, desde o armistício entre os dois países. Mas as deserções para a Coreia do Norte são extremamente raras.

As duas Coreias estão tecnicamente em guerra há décadas, embora a Guerra da Coreia tenha sido interrompida em 1953 com uma trégua, não com um tratado de paz.

A Zona Desmilitarizada está cercada por arame farpado, sensores, campos minado, postos de sentinela e patrulhas armadas, e cerca de dois milhões de soldados prontos para um eventual conflito em ambos os lados. E, mesmo à noite, esta zona fronteiriça é altamente iluminada.
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