Supremo afegão interrompe processo do convertido ao cristianismo
O Supremo Tribunal afegão decidiu hoje interromper o processo do muçulmano convertido ao cristianismo, que se arrisca a ser condenado à morte por isso, levantando-se agora a hipótese do arguido ser libertado por «incapacidade mental».
«Os parentes dizem que Abdul Rahman não tem todas as suas capacidades mentais, que ele é louco. Ele próprio diz ouvir "vozes estranhas na cabeça". Remetemos o processo para o procurador-geral para uma investigação aprofundada», disse o porta-voz do Supremo Tribunal, Wakil Omari.
Abdul Rahman, 41 anos, foi detido há três semanas em Cabul por, há 16 anos, quando trabalhava no Paquistão, ter abandonado o Islão e adoptado o cristianismo, um acto passível da pena de morte, segundo a `charia`, a lei islâmica em vigor no Afeganistão.
Cabe agora ao procurador-geral decidir, depois da investigação, se envia ou não o caso para tribunal ou se encerra o processo e liberta o acusado, explicou Omari.
Desde a queda do regime talibã no Afeganistão, em 2001, vários cidadãos foram condenados à morte mas só um, Abdullah Shah, um comandante acusado de estar ligado a vários assassínios, foi executado em 2004, segundo a justiça afegã.
Omari adiantou que se ignora ainda «qual é a nacionalidade exacta de Abdul Rahman».
O caso tem suscitado intervenções ocidentais pedindo clemência para o arguido.
O Papa Bento XVI pediu, sábado, ao presidente Karzai que agracie Abdul Rahman e, hoje, ao rezar o Angelus, no Vaticano, manifestou «solidariedade» com os cristãos «perseguidos pela sua fé», bem como com aqueles que vivem em países onde «a liberdade religiosa não existe».