Supremo alemão confirma absolvição de presumível terrorista
O Supremo Tribunal Alemão confirmou hoje, em Karlsruhe, a absolvição do marroquino Abdelghani Mzoudi, acusado de envolvimento em actividades terroristas, mas já ilibado num julgamento em Hamburgo, em Fevereiro de 2004.
O Supremo decidiu absolver definitivamente Mzoudi, por considerar que não há provas da sua cumplicidade nos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos da América, indeferindo assim o recurso do Ministério Público.
A acusação admitiu no recurso ao Supremo que não foi possível provar que Mzoudi conhecia em pormenor os planos dos atentados feitos pela «Célula de Hamburgo» da Al Qaida, chefiada pelo piloto suicida Mohammed Atta.
No entanto, o Ministério Público alegou que para uma condenação por filiação num grupo terrorista bastava provar que o arguido conhecia os objectivos gerais dos seus amigos da célula da Al Qaida.
O juiz Klaus Tolksdorf defendeu tese contrária, considerando «injustificado» o recurso do Ministério Público, porque, afirmou, «os juízes têm de usar neste processo de revisão os mesmos processos que em todos os outros processos, e não detectou nenhum erro no acórdão do Supremo Tribunal de Hamburgo», que já tinha absolvido Mzoudi.
Apesar de ter sido absolvido em definitivo pela justiça, Mzoudi, que não foi admitido de novo na universidade alemã onde estudava, deverá ser expulso da Alemanha nos próximos tempos, reafirmou hoje o Senado de Hamburgo para os Assuntos Internos.
O estudante marroquino, tal como o sue compatriota Mounir El Motassadeq, fazia parte do círculo de pessoas que se movimentavam junto do grupo terrorista que organizou os atentados de 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque e Washington, em que morreram cerca de três mil pessoas.
Motassadeq está actualmente a ser julgado em Hamburgo por filiação num grupo terrorista e cumplicidade em homícidio.
A sua condenação a 15 anos de prisão num primeiro processo foi revogada em Março de 2004 pelo Supremo Tribunal Federal, por falta de provas, e a sentença do novo julgamento deverá ser pronunciada a 19 de Agosto.