Surto de doença tropical pode atingir Estados Unidos
O "chinkungunya", vírus transmitido pelo mesmo mosquito tropical que transmite o dengue, pode atingir os Estados Unidos, onde inclusivamente já terá sido detectada a sua presença, de acordo com um estudo da Universidade da Florida (UF).
"Corremos o risco" de sofrer uma epidemia, concluiu Walter Tabachnik, do Instituto de Alimentos e Agricultura daquela Universidade, que revelou terem sido encontrados no Sul do país dois mosquitos transmissores da doença.
Ainda que a doença raramente seja mortal, o vírus do "chinkungunya" ("doença do homem que anda curvado", em suahili) custou a vida a 65 pessoas na Índia e o número de pessoas afectadas em todo o mundo ronda os 1.5 milhões.
"Com base no surto registado na Índia, creio que devemos vigiar este vírus", considerou Tabachnik, que explicou que, embora "não seja possível dizer" quando o surto ocorrerá nos Estados Unidos, os peritos "são unânimes em dizer que é um cenário provável".
Do que o vírus necessita é, para o especialista, de alguém contagiado pelo mosquito asiático tigre ou pelo mosquito da febre-amarela, para a partir daí contagiar um maior número de pessoas.
A doença caracteriza-se por febres altas, vómitos, erupções cutâneas e problemas nas articulações que podem durar meses e, em certos casos, até anos.
Para idosos, crianças e pessoas com um sistema imunitário débil, a doença pode ser fatal, explicou Tabachnik, que lembrou também o surto em Madagáscar, que afectou 2.500 pessoas e matou um por cento dos afectados.
Tabachnik defende que "os médicos devem estar alerta" e perguntar a quem se apresente com sintomas da doença se viajou ultimamente para fora dos Estados Unidos.
Uma das dificuldades para identificar e seguir a pista do vírus é que este não se propaga entre os animais, o que faz da denúncia de alguém infectado a única forma de o localizar.
Ainda que o vírus do "chinkungunya" tenha já sido diagnosticado a cerca de dez pessoas nos Estados Unidos, nenhum dos infectados contagiou outras pessoas, assegurou Roxanne Connelly, professora-adjunta de Entomologia na UF.
Os peritos estão especialmente preocupados com a possibilidade de o surto ocorrer na Florida, não só por este estado ser um destino turístico para milhões de estrangeiros mas também pelas suas águas quentes serem um meio privilegiado de transmissão da doença.