Syriza forma governo com partido de direita Gregos Independentes

O Syriza ficou a dois deputados da maioria absoluta nas legislativas gregas, mas o novo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, estabeleceu um acordo com os Gregos Independentes, formação de direita soberanista e anti-austeridade.

Sandra Salvado, RTP /
Alexis Tsipras, líder do Syriza, chegou a acordo com o líder dos Gregos Independentes, Panos Kammenos, para uma aliança governativa Orestis Panagiotou, EPA

O Syriza fica a dois deputados de conquistar a maioria absoluta no Parlamento grego. Com 36,34 por cento dos votos, a formação de extrema-esquerda conquista 149 assentos parlamentares.Alexis Tsipras tomou posse às 16h00 (14h00 em Lisboa) como primeiro-ministro, perante o Presidente da Grécia, Carolos Papoulias.



Alexis Tsipras escolheu os Gregos Independentes, partido de Panos Kammenos. Os programas dos dois partidos são díspares. Mas têm em comum a forte oposição às condições do resgate financeiro da troika.
O líder dos Gregos Independentes precisou de menos de uma hora para anunciar: “Quero apenas dizer que a partir deste momento há Governo. Os gregos Independentes darão um voto de confiança ao primeiro-ministro Alexis Tsipras”.

A agência Reuters adianta que havia "um acordo de princípio". Um entendimento que proporciona agora uma aliança incomum, ao juntar dois partidos de campos opostos do espectro político, unidos por uma mesma rejeição ao programa de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.
Intervenção de Alexandre David, enviado especial da Antena 1 a Atenas

“O primeiro-ministro irá ao Presidente e a formação do Governo será anunciada. O objectivo para todos os gregos é começar um novo dia, com total soberania", afirmava a meio da manhã Panos Kommenos, cujo partido foi o sexto mais votado, elegendo 13 deputados.



A política europeia começa só agora a medir os efeitos da vitória histórica do Syriza nas eleições da Grécia. O partido de Tsipras promete pôr termo à política de austeridade. Todavia, para tal terá de encontrar uma resposta àquele que é o maior problema do país: uma dívida pública galopante.

Assim que os resultados deram como vencedor o Syriza, Alexis Tsipras disse-se disposto a "colaborar" com os credores do país - FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu - uma "solução nova, viável e sustentável que beneficie a todos”.
Qual é a extensão da dívida e quem a detém?
Alexis Tsipras quer negociar com a Europa a redução da enorme dívida do país. Apesar da sua reestruturação em 2012, o rácio da dívida do Estado grego sobre o Produto Interno Bruto já ultrapassa 175 por cento.

Segundo avança o jornal francês Le Monde, dos 321,7 mil milhões da dívida grega, 70,5 por cento pertencem a credores públicos internacionais.

O FMI emprestou 32 mil milhões de euros, os outros países da Zona Euro 53 mil milhões, através de empréstimos bilaterais, enquanto o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) concedeu 141,8 mil milhões de euros.

Sobre a questão de saber se é possível uma redução da dívida grega, o BCE já veio dizer esta segunda-feira ao jornal económico alemão Handelsblatt que não vai participar em qualquer redução.
Porta fechada a "redução que inclua títulos do BCE"
“Não cabe ao BCE decidir se a Grécia precisa de uma redução da sua dívida”, disse Benoit Coeuré, membro do conselho executivo do BCE, citado por Le Monde.
Peça de Marta Pacheco, Antena 1

“É absolutamente claro que não podemos concordar com qualquer redução da dívida que inclua os títulos detidos pelo BCE. Tal é impossível por razões legais”, adiantou o responsável do BCE.

Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, diz por sua vez que a Grécia não pode receber um "tratamento especial" sobre as suas dívidas.
"Grécia não pode ter tratamento especial"
"Existem regras na zona do euro que devem ser respeitadas", disse Lagarde a Le Monde. "Nós não podemos fazer categorias especiais para este ou para aquele país. A Grécia não pode ter tratamento especial", vincou.

"Não é uma questão de medidas de austeridade, estas são reformas profundas que continuam a ser feitas", advertiu a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional.
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