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Taiwan alerta União Europeia para riscos de dependência económica da China

Taiwan alerta União Europeia para riscos de dependência económica da China

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Lin Chia-lung, alertou na terça-feira a União Europeia (UE) para os riscos de uma dependência excessiva da China, apresentando a ilha como um "parceiro natural" do bloco europeu.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Ritchie B. Tongo - EPA

Numa intervenção no Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polónia, Lin acusou Pequim de não respeitar as regras do comércio internacional, ao assentar o seu modelo económico em "subsídios estatais maciços" e em "práticas desleais e alheias ao mercado", destinadas a prejudicar os concorrentes europeus.

"O seu objetivo não é o benefício mútuo, mas o domínio: tornar a Europa dependente, controlar os mercados europeus e, em última análise, reduzir todo um continente a uma situação de dependência económica", afirmou o ministro, segundo a transcrição integral do discurso divulgada hoje pelo seu ministério.

O chefe da diplomacia taiwanesa sublinhou que a dependência económica da China não representa apenas um "risco económico", mas também uma "ameaça" à liberdade e à soberania da própria Europa.

Lin defendeu que Taiwan desenvolveu uma economia e uma base tecnológica que Pequim "não pode manipular nem tomar como reféns".

"É precisamente por isso que Taiwan e a Europa são parceiros naturais. Partilhamos os mesmos valores. As nossas economias e tecnologias são complementares", afirmou.

"Taiwan não pede à Europa que troque uma dependência por outra. Estamos ao lado da Europa como um parceiro em quem se pode realmente confiar", acrescentou.

Como exemplo da cooperação bilateral, Lin destacou os planos para estabelecer um parque tecnológico na Polónia, que, segundo afirmou, levará a "força industrial" de Taiwan ao "coração industrial" da Europa.

O ministro defendeu ainda que a inteligência artificial (IA) deve desempenhar um papel central na reindustrialização europeia.

"A inteligência artificial é uma revolução industrial de dimensão histórica. O centro desta revolução passa por Taiwan", afirmou.

"A reindustrialização da Europa não deve limitar-se a recuperar a indústria do passado. Deve construir a indústria do futuro: uma reindustrialização impulsionada pela IA", acrescentou.

Lin deslocou-se à Polónia para participar, pelo segundo ano consecutivo, no Fórum de Segurança de Varsóvia, realizado na segunda e terça-feira.

A Santa Sé é o único Estado europeu que mantém relações diplomáticas oficiais com Taiwan, embora vários países da Europa Central e de Leste tenham reforçado os contactos com a ilha nos últimos anos, sobretudo após a invasão russa da Ucrânia.

A China considera Taiwan parte do seu território e não exclui o recurso à força para concretizar a reunificação, embora a ilha seja governada de forma autónoma desde 1949.

As declarações do ministro taiwanês surgem na véspera do Conselho Europeu de 15 e 16 de outubro, durante o qual os líderes dos Estados-membros da UE deverão discutir o estado das relações económicas e comerciais entre Pequim e Bruxelas.

 

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