Taiwan apoia intercâmbios entre Vaticano e China

Taiwan apoiou hoje os esforços do Vaticano para se aproximar de Pequim, esperando que uma nova relação possa travar a deterioração da liberdade religiosa e dos direitos humanos na China.

Lusa /

"O nosso país respeita plenamente a liberdade religiosa e apoia os esforços contínuos da Santa Sé para dialogar com a China e resolver os problemas religiosos da Igreja Católica na China", declarou a diplomacia de Taiwan num comunicado.

"Esperamos que os intercâmbios entre o Vaticano e a China contribuam para melhorar a deterioração da situação da liberdade religiosa e dos direitos humanos na China, e para realizar o ideal da liberalização religiosa na China", acrescentou.

A declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, citada pela agência francesa AFP, foi divulgada no início de uma visita inédita do Papa Francisco à Mongólia, um país situado entre a China e a Rússia.

Enquanto o avião papal sobrevoava a China, o Papa Francisco enviou um telegrama ao Presidente Xi Jinping e ao povo chinês, seguindo a tradição de saudar os líderes dos países cujo espaço aéreo atravessa.

Em resposta ao telegrama do chefe da Igreja Católica, Pequim afirmou que desejava "reforçar a confiança mútua" com o Vaticano e que as palavras do Papa "refletiam amizade e boa vontade".

A Santa Sé é o único aliado diplomático de Taiwan na Europa e não tem laços oficiais com a República Popular da China (RPC).

Pequim considera que Taiwan faz parte do território da RPC e ameaça tomar a ilha pela força se Taipé declarar a independência.

O conflito remonta a 1949, quando o antigo governo nacionalista chinês se refugiou em Taiwan depois de ter perdido a guerra civil para os comunistas, de que resultou a proclamação da RPC.

Em 2022, o Vaticano e Pequim renovaram um acordo histórico assinado em 2018 sobre a questão da nomeação de bispos na China, num contexto de tensões sobre a situação dos católicos sob o regime comunista.

A RPC não reconhece a autoridade do Papa em relação aos católicos na China, cuja hierarquia está sob a autoridade da Associação Patriótica Católica Chinesa, um organismo estatal fundado em 1957.

A visita à Mongólia, a 43.ª viagem de Francisco em 10 anos como Papa, é também considerada crucial para manter a porta aberta a melhores laços entre o Vaticano e Pequim.

A melhoria das relações do Vaticano com a China pode significar mais um revés para Taiwan, que viu nove aliados diplomáticos passarem a apoiar Pequim desde que a Presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, chegou ao poder em 2016.

Pequim critica Tsai por não aceitar que Taiwan pertence à China e condena quaisquer iniciativas diplomáticas que possam parecer um reconhecimento da ilha de 23 milhões de habitantes como uma nação soberana.

Apenas 13 países reconhecem oficialmente Taipé em vez de Pequim.

A ilha está separada do continente chinês pelo Estreito de Taiwan, com 130 quilómetros de distância no ponto mais próximo, que é uma das principais rotas de passagem das mercadorias da região para os mercados mundiais.

Tópicos
PUB