Taiwan detém empresário por tentar vender drones com componentes chineses ao Exército
A Justiça taiwanesa decretou uma medida de prisão preventiva a um empresário acusado de tentar vender ao Exército drones montados secretamente com componentes chinesas, informaram hoje as autoridades da ilha.
Num comunicado, a Procuradoria do Distrito de Ciaotou, na cidade de Kaohsiung, explicou que o caso involve dois arguidos, um homem de apelido Chang, responsável por uma empresa local cujo nome não foi divulgado, e o diretor técnico da mesma firma.
Ambos são acusados dos crimes de entrega e fornecimento ao Exército de produtos originários da China Continental, crime previsto na Lei de Segurança Nacional, e de tentativa de burla para obtenção de bens, contemplada no Código Penal.
O caso remonta ao ano passado, quando a empresa de Chang venceu uma licitação para fornecer aeronaves não tripuladas ao VIII Corpo do Exército, responsável pela defesa da região sul da ilha.
Durante o processo de receção e verificação dos aparelhos, os militares detetaram que os drones "presumivelmente incorporavam componentes de fabrico chinês" - cuja origem, segundo a Procuradoria, teria sido ocultada através da eliminação das etiquetas e da apresentação de certificados falsos -, algo proibido pelo contrato. Por isso, não foi efetuado o pagamento e o caso foi remetido para investigação.
Concluídas as primeiras diligências, a equipa de investigação deslocou-se a 11 de agosto à sede da empresa em causa e a outra companhia, entre outros locais, para realizar buscas e apreender provas, além de convocar os arguidos e testemunhas para interrogatório.
Após as audições, os procuradores solicitaram prisão preventiva em regime de incomunicabilidade para ambos, medida que o tribunal apenas aplicou a Chang.
Segundo a Procuradoria, trata-se do primeiro caso de aquisição de drones militares que envolve uma alegada violação da Lei de Segurança Nacional da ilha.
A investigação teve lugar numa altura em que a Administração do Presidente William Lai Ching-te planeia construir uma cadeia de fornecimento de veículos não tripulados livre de componentes de fabrico chinês, para reforçar a autossuficiência da ilha e, simultaneamente, impulsionar as exportações para países aliados.
A criação de uma vasta frota de drones tornou-se, além disso, uma das principais prioridades defensivas de Taiwan, que vê na experiência da Ucrânia um exemplo claro de como utilizar a tecnologia para enfrentar um inimigo com capacidades militares superiores.
Na sexta-feira, o parlamento de Taiwan, aprovou, após um atraso recorde de 266 dias, o orçamento geral do Governo para 2026, que inclui um programa de drones para reforçar as defesas da ilha.
O orçamento final autoriza gastos de 2,98 biliões de dólares de Taiwan (80,5 mil milhões de euros), com 63,4 mil milhões de dólares (1,71 mil milhões de dólares) destinados para o desenvolvimento e aquisição de equipamento para a indústria de drones, face à crescente pressão militar da China.
No domingo, a CNA disse, citando fontes não identificadas, que o Governo de Taiwan vai propor aumentar em 16% a despesa em Defesa para 1,1 biliões de dólares taiwaneses (29,5 mil milhões de euros) em 2027.