Taiwan diz que China está a intensificar preparativos para eventual bloqueio da ilha

Taiwan diz que China está a intensificar preparativos para eventual bloqueio da ilha

O ministério da Defesa taiwanês indicou que o Exército chinês está a intensificar os preparativos para um eventual bloqueio de Taiwan, concentrando cada vez mais os exercícios militares no controlo das rotas aéreas e marítimas da ilha.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A avaliação consta do "Relatório sobre o Poder Militar da China de 2026", apresentado esta semana ao parlamento de Taiwan, com o plano de desenvolvimento das Forças Armadas para os próximos cinco anos e a proposta de orçamento da Defesa para 2027.

Segundo o documento, os recentes exercícios do Exército de Libertação Popular (ELP) chinês têm-se concentrado cada vez mais no "bloqueio e controlo conjuntos" das rotas aéreas e marítimas que ligam Taiwan ao exterior.

"Em combinação com o treino anual do ELP, os exercícios têm-se concentrado cada vez mais em bloqueios ou quarentenas marítimas e aéreas, ataques conjuntos com poder de fogo, conquista de superioridade abrangente no campo de batalha e operações conjuntas de desembarque anfíbio", indicou.

O objetivo, segundo o ministério taiwanês, passa por reforçar a capacidade das forças chinesas para atacar Taiwan e realizar operações de negação de acesso destinadas a contrariar uma eventual intervenção militar estrangeira.

Pequim considera Taiwan parte do seu território e não exclui o recurso à força para concretizar a reunificação.

A maioria dos países, incluindo os Estados Unidos, principal parceiro internacional e fornecedor de armas de Taipé, não reconhece Taiwan como Estado independente.

Washington opõe-se, no entanto, a qualquer alteração pela força do `status quo` no estreito de Taiwan e está obrigado, pela legislação norte-americana, a fornecer à ilha meios para assegurar a sua defesa.

O relatório indicou ainda que exercícios específicos do ELP simularam bloqueios ou quarentenas, operações conjuntas entre forças militares e de aplicação da lei e ataques com fogo real a longa distância.

A aviação militar chinesa continua a enviar caças e drones através da linha mediana do estreito de Taiwan, uma fronteira não oficial entre os dois lados, enquanto navios de guerra se aproximaram das águas junto à zona contígua da ilha, que se estende até 24 milhas náuticas (44 quilómetros) da costa.

Perante estas ameaças, as Forças Armadas de Taiwan pretendem reforçar as redes de comando, controlo, comunicações, computadores, ciberdefesa, informações, vigilância e reconhecimento (C5ISR) e recorrer a sistemas apoiados por inteligência artificial nos processos de tomada de decisão.

Taiwan começou também a testar, na prática, a resposta a um eventual bloqueio chinês. Nos exercícios Han Kuang deste ano, as maiores manobras militares anuais da ilha, a resposta a uma quarentena marítima e a um bloqueio assumiu pela primeira vez um papel central.

Num dos cenários, os portos e as rotas marítimas da costa ocidental de Taiwan foram considerados bloqueados, obrigando a que ajuda externa e abastecimentos essenciais entrassem através de uma "linha de vida estratégica" ao largo da costa oriental.

Num exercício destinado a testar a integração da Guarda Costeira nas estruturas de comando e controlo da Marinha, um caça-minas da classe Yung Feng foi utilizado para abrir uma rota marítima.

Navios da Marinha e da Guarda Costeira formaram depois um perímetro de proteção em torno de um navio de desembarque que simulava um cargueiro transportando abastecimentos essenciais.

As manobras testaram ainda a capacidade de Taiwan para manter as forças militares operacionais durante um bloqueio, através da utilização de tropas terrestres para proteger portos na costa oriental e da mobilização de camiões civis e equipamento portuário pesado para descarregar e transportar abastecimentos para o interior da ilha.

Apesar da intensificação dos preparativos, o ministério da Defesa taiwanês considerou que a capacidade do ELP para lançar uma ofensiva anfíbia em grande escala permanece "insuficiente".

Uma operação deste tipo exigiria desembarques simultâneos em vários locais, a manutenção da superioridade aérea e marítima e capacidade para assegurar continuamente o envio de reforços e abastecimentos, segundo o relatório.

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