Taiwan "merece ter voz própria e ser respeitado", diz vice-presidente após visitar Itália
Taiwan merece ter uma "voz própria" e "ser respeitado" no palco internacional, afirmou hoje a vice-presidente da ilha, Hsiao Bi-khim, após regressar de uma visita a Itália que provocou fortes protestos da China.
"Com esta viagem quis transmitir uma mensagem muito firme: por mais difíceis que sejam as circunstâncias, Taiwan vai continuar a percorrer com coragem o caminho que lhe permite avançar juntamente com o mundo", declarou Hsiao no Aeroporto Internacional de Taoyuan, nos arredores de Taipé, pouco depois de aterrar.
A dirigente deslocou-se à ilha italiana de Ventotene para participar na II Conferência Europeia pela Liberdade e Democracia, a convite da vice-presidente do Parlamento Europeu e principal promotora do evento, Pina Picierno, e esteve acompanhada pelo chefe da diplomacia taiwanesa, Lin Chia-lung.
Hsiao salientou que a Europa e Taiwan enfrentam desafios semelhantes, entre os quais o autoritarismo, as "ameaças na zona cinzenta", a coerção através da força e as tentativas de alterar o `status quo`, que "continuam a surgir em diferentes lugares e sob diferentes formas".
"Nos diálogos do fórum expliquei, em particular, aos amigos internacionais presentes que Taiwan enfrenta uma pressão militar e na zona cinzenta cada vez maior, mas que, tal como os nossos amigos europeus, defendemos um modo de vida livre e democrático e esforçamo-nos por preservar a paz e a prosperidade da região", afirmou.
A vice-presidente explicou que a viagem não foi anunciada publicamente antes da partida "para evitar, tanto quanto possível, interferências desnecessárias e chegar ao destino sem contratempos", acrescentando que, durante a estadia em Itália, voltou a constatar o "interesse" da comunidade internacional por Taiwan.
"Para mim, o maior significado desta viagem não reside apenas em ter ido a um determinado lugar participar num fórum, mas, sobretudo, no facto de a voz de Taiwan ter podido ser ouvida, num local de grande importância histórica, perante um público mais vasto", destacou.
Hsiao já esteve na Europa em novembro de 2025, quando participou na reunião anual da Aliança Interparlamentar sobre a China (IPAC), na sede do Parlamento Europeu, tornando-se a primeira dirigente da ilha a discursar naquela instituição.
Tal como nessa ocasião, a mais recente deslocação de Hsiao ao estrangeiro enfrentou forte oposição da China, que na sexta-feira apresentou um protesto formal junto de Itália e exigiu ao país europeu que respeite o princípio de "uma só China".
Pequim considera Taiwan uma "parte inalienável" do território chinês e não exclui o recurso à força para assumir o controlo da ilha, um dos objetivos declarados pelo Presidente chinês, Xi Jinping.
O Governo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista (PDP), formação de tendência soberanista, defende que a ilha já é `de facto` um país independente e que o seu futuro só pode ser decidido pelos seus 23 milhões de habitantes.