Taiwan realiza simulacro contra possível bloqueio marítimo chinês

Taiwan realiza simulacro contra possível bloqueio marítimo chinês

As forças armadas de Taiwan realizaram manobras de contrabloqueio marítimo no leste da ilha, nas quais simularam a escolta de um navio que transportava "mantimentos importantes", face à crescente pressão chinesa, informaram hoje fontes oficiais.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Carlos Garcia Rawlins - Reuters

Durante o exercício, na quarta-feira, um navio de desembarque anfíbio da classe Yushan, que assumiu o papel de navio mercante, foi guiado até ao porto por um grupo de embarcações da Marinha e da Guarda Costeira, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa Nacional de Taiwan.

"A Marinha e a Guarda Costeira continuam a aprofundar a sua cooperação coordenada, desde a resposta a táticas de `zona cinzenta` até missões como o ataque litoral e a escolta de contrabloqueio", indicou o ministério.

Táticas marítimas de "zona cinzenta" em torno de Taiwan referem-se à utilização sistemática, por parte da China, de embarcações não militares e paramilitares --- como navios da guarda costeira, milícias marítimas e dragas --- para exercer controlo e pressionar Taiwan gradualmente, sem ultrapassar o limiar de um conflito armado convencional.

Num outro comunicado, a Administração da Guarda Costeira (CGA, na sigla em inglês) assinalou que era a primeira vez que ambas as forças cooperavam num exercício deste tipo, o que evidenciou a determinação de Taiwan em "preservar a paz e a estabilidade" no estreito e na região.

Segundo a CGA, o simulacro contou com a participação de quatro navios guarda-costas que, juntamente com navios da Marinha, escoltaram o Yushan até aos portos de Hualien e Suao, na costa oriental da ilha.

Suao abriga os únicos contratorpedeiros da Marinha taiwanesa, e funciona como base de operações da Lungteh, empresa que constrói patrulhas e corvetas para a Marinha e a Guarda Costeira.

Kuan Bi-ling, ministra do Conselho de Assuntos Oceânicos --- organismo encarregado de supervisionar a Guarda Costeira ---, sustentou que o simulacro pôs em evidência a "estreita cooperação estratégica" entre a Guarda Costeira e as forças armadas.

"Em tempos de paz, a Guarda Costeira defende as fronteiras marítimas, protege a pesca e realiza trabalhos de resgate; em tempos de guerra, integra-se, nos termos da lei, no sistema global de operações de defesa", sublinhou a responsável, em declarações recolhidas no comunicado.

O ensaio fez parte das manobras Han Kuang, os exercícios de guerra anuais de Taiwan, concebidos para pôr à prova a capacidade de resposta militar perante uma eventual tentativa de invasão por parte da China, que não descarta o uso da força para assumir o controlo da ilha.

As autoridades taiwanesas têm denunciado reiteradamente que, desde o final de maio, navios da Guarda Costeira chinesa e de outros organismos oficiais do gigante asiático têm operado com cada vez mais frequência em águas a leste da ilha.

Essa zona não só abriga rotas marítimas essenciais para o comércio mundial, como constituiria a via pela qual países como os Estados Unidos e o Japão socorreriam Taiwan em caso de uma agressão militar ou de um bloqueio chineses, segundo analistas de defesa.

O exercício de contrabloqueio coincidiu também com manobras navais conjuntas entre uma fragata chinesa e outra da Indonésia a leste de Taiwan, exercícios inéditos na zona que, segundo Taipé, visavam projetar a "falsa imagem" de que Pequim exerce jurisdição efetiva sobre essas águas.

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