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Taiwan testa primeiro submarino de produção nacional
Batizaram-no de Haikun e é o primeiro submarino produzido em Taiwan. Esta quinta-feira, a presidente do território, Tsai Ing-wen, apresentou o submergível e anunciou que está pronto para testes. É mais um sinal de que Taipé pretende reforçar as defesas contra um possível ataque chinês.
Taiwan tem planos de construir oito submarinos de fabrico próprio, que fazem parte da estratégia de dissuasão da ilha, perante a pressão da China.
O primeiro submarino chama-se Haikun e herdou o nome de um tipo de peixe lendário – que também pode voar - chamado Kun e Hai significa “oceano”, em chinês.
Foi apresentado esta quinta-feira e, se os testes de Haikun forem bem sucedidos, o submarino representará um grande avanço na indústria de construção e desenvolvimento naval de Taiwan.
“A história irá lembrar-se para sempre deste dia”, afirmou Tsai Ing-wen, presidente de Taiwan, junto ao submergível ainda envolto com a bandeira do país.
“No passado, um submarino de fabrico nacional era considerado impossível, mas hoje um submarino projetado e construído pelos nossos compatriotas está perante vós. Conseguimos", declarou Tsai, na cerimónia que decorreu nos estaleiros da cidade portuária de Kaohsiung.
“É uma realização concreta da nossa resolução em proteger Taiwan”, acrescentou.
O processo foi “tortuoso”, disse o chefe do estaleiro CSBC Corporation de Taiwan, Cheng Wen-lon, que liderou a construção do submarino.
“Embora tenhamos trabalhado silenciosamente nos últimos anos, isso não significa que o processo tenha decorrido com total tranquilidade”, disse Cheng, na cerimónia realizada no estaleiro da CSBC.
E Taiwan precisa de submarinos para quê
O submarino é movido a diesel e eletricidade e custou 1,47 mil milhões de euros.
Os novos modelos virão equipados com sistema de combate da Lockheed Martin e torpedos pesados MK-48 de fabrico norte-americana. O Reino Unido forneceu componentes, tecnologia e mão-de-obra.
Para Taiwan, a construção deste tipo de equipamento reitera a necessidade de defender a ilha e os territórios periféricos da pressão da marinha chinesa.
Este submarino faz parte de um programa de defesa dos líderes de Taiwan que acelerou com a liderança de Tsai.
Neste momento já está a ser fabricado um segundo de produção própria, mas Taiwan pretende vir a operar uma frota de dez submarinos, que inclui dois submergíveis mais antigos de fabrico holandesa – e equipá-los com mísseis.
Tanto a conclusão do Haikun como os próximos a serem produzidos representam um marco importante na estratégia de Taiwan no contexto defensivo, isto porque o programa de submarinos nacionais visa tornar o país mais auto-suficiente.
De qualquer forma, a futura frota de dez submarinos de Taiwan enfrentará uma guerra assimétrica, caso seja desencadeada, isto porque a frota chinesa China compreende mais de 60, incluindo submarinos de ataque com propulsão nuclear e outros a caminho.
Acrescenta que “a frota de Taipé pode realizar operações de colocação de minas em portos chineses, interromper o fornecimento marítimo de petróleo ou mesmo destruir instalações importantes na costa chinesa”.
A China nunca descartou o uso da força para concretizar esse plano e especialistas de política internacional acreditam que o Exército de Libertação Popular da China poderá invadir Taiwan até 2027.
O lançamento do Haikun ocorre um dia depois de Pequim confirmar que tem estado a realizar exercícios militares este mês de setembro para “combater resolutamente a arrogância das forças separatistas da independência de Taiwan”.
A China ainda não reagiu à apresentação do novo submarino mas no início desta semana, o Global Times avançou que Pequim dissera que “Taiwan estava a sonhar acordado” e que o plano era “apenas uma ilusão”.