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Tajiquistão-Quirguistão. Confrontos na fronteira matam dezenas de pessoas
Pelo menos 94 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em combates na fronteira entre o Quirguistão e o Tajiquistão. O espaço de fronteira entre os dois Estados da Ásia Central tem sido contestado desde o colapso da União Soviética, em 1991.
Os Estados vizinhos Quirguistão e Tajiquistão partilham uma fronteira de mil quilómetros. Desde a independência desencadeada pela desintegração da União Soviética, em 1991, que os dois países da Ásia Central não se entendem quanto a mais de um terço da linha fronteiriça.
Embora tenha sido acordado na sexta-feira um cessar-fogo, na noite de domingo o Quirguistão avançou com um balanço de mais 13 mortes, elevando o número total de mortos para 59. Num relatório separado, o Ministério da Saúde do Quirguistão disse que 139 pessoas ficaram feridas.
Do lado do Tajiquistão, foram relatadas as mortes de 35 cidadãos e ferimentos em pelo menos 20, embora não tenha sido claro na publicação do número de vítimas. No sábado, o Ministério tajique do Interior afirmou que civis foram mortos no Tajiquistão durante o período de tréguas, mas não especificou quantos.
O Quirguistão revelou ter deslocado da zona dos confrontos cerca de 137 mil pessoas, embora algumas já estejam a regressar a casa.
Batken, a capital da região com o mesmo nome no sul do Quirguistão, tornou-se uma cidade fantasma desde o início das hostilidades. Todas as pequenas lojas e cafés estavam fechados, descreve um correspondente da Eurasianet, Danil Usmanov: "dois minimercados estavam abertos, mas os soldados eram os únicos clientes. Apenas um punhado de pessoas estava a usar os postos de gasolina".
As áreas fronteiriças no Tajiquistão, que também sofreram ataques com morteiros, são mais populosas do que as do Quirguistão, mas as autoridades tajiques não relataram nenhuma evacuação em massa.
De acordo com Usmanov, "o regime autoritário no Tajiquistão tem intimidado jornalistas e cidadãos à submissão".
Pressão internacional
Num comunicado do Kremlin, Vladimir Putin instou o presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, e o presidente tajique, Emomali Rakhmon, a interromper a violência.
Os Estados vizinhos assinaram um cessar-fogo na sexta-feira, mas continua a haver queixas de alegados incumprimentos e de bombardeamentos de ambos os lados.
O presidente russo, Vladimir Putin, ter-se-á multiplicado em contactos entre os executivos dos dois países para pedir "às partes que evitem uma nova escalada de violência e tomem medidas para resolver a situação o mais rápido possível, e isso apenas por meios pacíficos, políticos e diplomáticos", de acordo com o comunicado.
Segundo a Euronews, na manhã de domingo, guardas de fronteira do Quirguistão descreveram que a noite passou "calmamente, sem incidentes", mas reiteraram que "a situação na fronteira continua tensa". "Os líderes dos dois países estão a tomar todas as medidas necessárias para estabilizar a situação, parar todas as escaladas e provocações (...) de forma pacífica", acrescentaram os guardas.
Ainda no sábado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, telefonou para autoridades de ambos os lados, pedindo-lhes que "promovam o diálogo para um cessar-fogo duradouro", afirmou um porta-voz da ONU.
O Quirguistão declarou esta segunda-feira um dia de luto nacional pelos mortos nos confrontos.
"Não foram registrados ganhos ou perdas territoriais. Só mortes", afirmou Usmanov.
Em 2021, os combates mataram quase 50 pessoas. Nos últimos dias, a escalada de violência já vitimou o dobro de pessoas.
Há cinco dias ocorreram novos combates nas regiões de Batken e Osh, no sul do Quirguistão, que faz fronteira com o Tajiquistão. Os dois países acusam-se mutuamente de usar tanques, morteiros, artilharia de foguetes e drones, nomeadamente contra assentamentos civis.
Vídeos divulgados no Twitter mostram, por exemplo, tropas do Tajiquistão a destruírem uma ponte no rio Isfara.
#BreakingNews #Tajik troops destroyed a bridge on Isfara river, whixh goes toward #Kyrgyzstan.#Tajikistan pic.twitter.com/EUZ1fIqwyn
— Conflict Watch PSF (@AmRaadPSF) September 19, 2022
Embora tenha sido acordado na sexta-feira um cessar-fogo, na noite de domingo o Quirguistão avançou com um balanço de mais 13 mortes, elevando o número total de mortos para 59. Num relatório separado, o Ministério da Saúde do Quirguistão disse que 139 pessoas ficaram feridas.
Do lado do Tajiquistão, foram relatadas as mortes de 35 cidadãos e ferimentos em pelo menos 20, embora não tenha sido claro na publicação do número de vítimas. No sábado, o Ministério tajique do Interior afirmou que civis foram mortos no Tajiquistão durante o período de tréguas, mas não especificou quantos.
O Quirguistão revelou ter deslocado da zona dos confrontos cerca de 137 mil pessoas, embora algumas já estejam a regressar a casa.
Batken, a capital da região com o mesmo nome no sul do Quirguistão, tornou-se uma cidade fantasma desde o início das hostilidades. Todas as pequenas lojas e cafés estavam fechados, descreve um correspondente da Eurasianet, Danil Usmanov: "dois minimercados estavam abertos, mas os soldados eram os únicos clientes. Apenas um punhado de pessoas estava a usar os postos de gasolina".
As áreas fronteiriças no Tajiquistão, que também sofreram ataques com morteiros, são mais populosas do que as do Quirguistão, mas as autoridades tajiques não relataram nenhuma evacuação em massa.
De acordo com Usmanov, "o regime autoritário no Tajiquistão tem intimidado jornalistas e cidadãos à submissão".
Pressão internacional
Num comunicado do Kremlin, Vladimir Putin instou o presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, e o presidente tajique, Emomali Rakhmon, a interromper a violência.
Os Estados vizinhos assinaram um cessar-fogo na sexta-feira, mas continua a haver queixas de alegados incumprimentos e de bombardeamentos de ambos os lados.
O presidente russo, Vladimir Putin, ter-se-á multiplicado em contactos entre os executivos dos dois países para pedir "às partes que evitem uma nova escalada de violência e tomem medidas para resolver a situação o mais rápido possível, e isso apenas por meios pacíficos, políticos e diplomáticos", de acordo com o comunicado.
Segundo a Euronews, na manhã de domingo, guardas de fronteira do Quirguistão descreveram que a noite passou "calmamente, sem incidentes", mas reiteraram que "a situação na fronteira continua tensa". "Os líderes dos dois países estão a tomar todas as medidas necessárias para estabilizar a situação, parar todas as escaladas e provocações (...) de forma pacífica", acrescentaram os guardas.
As tropas tajiques ter-se-ão retirado das aldeias quirguizes que ocupavam após os confrontos.
Ainda no sábado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, telefonou para autoridades de ambos os lados, pedindo-lhes que "promovam o diálogo para um cessar-fogo duradouro", afirmou um porta-voz da ONU.
O Quirguistão declarou esta segunda-feira um dia de luto nacional pelos mortos nos confrontos.
"Não foram registrados ganhos ou perdas territoriais. Só mortes", afirmou Usmanov.