Tanques colocados no exterior do palácio presidencial do Egito

O exército egípcio posicionou tanques no exterior do palácio presidencial do Cairo para controlar as ruas onde, durante a madrugada, se registaram violentos confrontos entre apoiantes e opositores do Presidente Mohamed Morsi. Pelo menos cinco pessoas morreram e centenas ficaram feridas nos distúrbios que opuseram partidários da Irmandade Islâmica, a que pertence o Chefe de Estado, e elementos da oposição secular, que se manifestavam contra o reforço dos poderes de Morsi e a controversa nova Constituição do país.

RTP /
Khaled Elfiqi, EPA

Três tanques pesados e outros três ligeiros foram posicionados no bairro de Heliópolis, frente à entrada do complexo presidencial e na grande avenida que rodeia o palácio, numa medida que, segundo a agência oficial de notícias MENA, tem como objetivo proteger as instalações.

Nove transportes blindados de tropas também foram vistos a ocupar posições no local. As insígnias dos soldados identificavam-nos como membros da guarda presidencial e da Guarda Republicana, cujos deveres incluem guardar o Presidente.

Segundo a agência MENA, quatro pessoas foram mortas por balas na noite de quarta para quinta-feira e uma quinta sucumbiu a ferimentos provocados por uma descarga de chumbos provavelmente disparados por uma arma de caça. O Ministério egípcio da Saúde dá também conta de cerca de 450 feridos.
Morsi acusado de usar táticas de Mubarak
Os incidentes são vistos como os mais graves desde a queda de Hosni Mubarak. Os líderes da oposição acusam o novo Presidente de estar a recorrer às mesmas táticas que o seu antecessor usou para tentar contrariar a revolução que acabou por resultar no seu afastamento.

Os confrontos começaram quando apoiantes de Morsi, pertencentes à Irmandade Islâmica, responderam a um apelo para se concentrarem no exterior do palácio presidencial, quarta-feira à tarde, onde se estava a efetuar uma vigília de protesto organizada pela oposição secular.

Foram atiradas pedras e cocktails molotov e disparados tiros, enquanto os partidários do Presidente desmontavam algumas das tendas montadas pelos opositores.

A Irmandade Muçulmana apelou mais tarde a que os partidários dos dois campos se retirassem simultaneamente, e se comprometessem a não regressar ao local, devido ao “simbolismo do palácio”. No entanto, esta manhã ainda estavam na zona centenas de apoiantes do Presidente Morsi, muitos deles embrulhados em cobertores e alguns a lerem o Corão.
Escritórios da Irmandade Muçulmana em chamas
Para além do Cairo, também se registaram incidentes noutras cidades e em Ismailia. E no Suez foram atacados escritórios da Irmandade Muçulmana.

Os opositores acusam o Presidente de tentar criar uma nova autocracia, em tudo semelhante à de Mubarak, quando concedeu a si próprio poderes extraordinários, num decreto assinado a 22 de novembro.

A oposição ficou ainda mais indignada quando a Assembleia Constituinte, dominada pelos islamitas, aprovou um projeto de nova Constituição que, segundo os críticos, não representa as aspirações de toda a nação.

Por seu lado, Mohamed Morsi defende o decreto, com o argumento de que necessita de poderes alargados para impedir que os tribunais, ainda dominados por juízes nomeados por Mubarak, façam descarrilar a nova Constituição, que diz ser vital para assegurar a transição política no Egito.
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