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Teerão envolve Administração Trump na morte de Khashoggi

Teerão envolve Administração Trump na morte de Khashoggi

Com as culpas da morte de Jamal Khashoggi assumidas pela Arábia Saudita, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, vem agora lançar dúvidas sobre uma eventual cooperação dos serviços norte-americanos na decisão de eliminar o jornalista saudita que trabalhava para o Washington Post.

Paulo Alexandre Amaral - RTP /
Brendan McDermid, Reuters

O presidente Hassan Rouhani defendeu já esta quarta-feira que os elementos sauditas não poderiam levar a cabo a eliminação de Jamal Khashoggi sem a protecção americana.

“Ninguém podia imaginar que no mundo actual e no século presente viríamos a ser confrontados com um homicídio assim organizado e com um sistema que planeasse uma execução tão hedionda”, afirmou Rouhani em declarações registadas pela agência oficial iraniana IRNA.

“Não acredito que um país se atrevesse a cometer um crime destes sem a protecção dos Estados Unidos”, lançou o presidente iraniano num momento em que Riade já admitiu que o grupo responsável pela morte do jornalista dissidente é composto por operacionais sauditas.

O presidente norte-americano mudou esta madrugada a agulha da sua narrativa, que isentava o príncipe herdeiro de qualquer responsabilidade na morte e desmembramento do corpo do jornalista, para passar a apontar o dedo a Mohammed Bin Salman. Após semanas a escudar o príncipe herdeiro, pela primeira vez, numa entrevista ao Wall Street Journal, Donald Trump colocou em cima da mesa a hipótese do envolvimento do seu no homicídio.

“Bom, o príncipe está à frente das coisas, lá [na Arábia Saudita], e ainda mais agora, nesta fase. Ele está à frente das coisas, portanto, se há alguém [que esteja envolvido na operação do consulado] será ele”, respondeu Trump quando questionado pelo WSJ sobre um envolvimento do príncipe.

Se até agora Donald Trump parecia tomar como legítima a versão da coroa saudita de que nada teve a ver com o homicídio, as cartas poderão ter mudado de forma drástica para o rumo político de Mohammed Bin Salman.

O presidente norte-americano, que tem Riade por tradicional aliado e um ponto seguro no Médio Oriente, deixou cair essa predisposição que vinha mantendo desde a primeira semana de Outubro, de proteger a imagem do príncipe. Pelo contrário, continua – como fez o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan – a dar o benefício da dúvida ao rei Salman.

Trump referiu-se ainda à operação para silenciar Khashoggi como uma série de terríveis tentativas de encobrimento: “A tentativa de encobrimento é a pior da história das tentativas de encobrimento”, declarou Trump, apelidando o episódio de “fiasco total”.
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