Teerão garante que não aceitará "negociações sob a sombra de ameaças"
O líder da delegação de Teerão nas negociações com os Estados Unidos alertou hoje que o seu país não aceitará "negociações sob a sombra de ameaças", sobre a possibilidade de novos encontros com Washington no Paquistão.
Mohammad Bagher Qalibaf, que é também presidente do Parlamento iraniano, reiterou a sua condenação pelas violações norte-americanas do cessar-fogo vigente e pelo bloqueio naval imposto aos portos iranianos, acrescentando que o Irão está a preparar novas estratégias para retomar o conflito armado.
"Ao impor um bloqueio e violar o cessar-fogo, Trump quer transformar a mesa das negociações numa mesa de rendição e justificar o retomar das hostilidades a seu bel-prazer", sublinhou o principal negociador iraniano numa mensagem na rede social X.
Qalibaf afirmou que o Irão não aceita "negociações sob a sombra de ameaças" e que, durante o cessar-fogo, Teerão "se preparou para mostrar novas cartas no campo de batalha".
A possibilidade de uma nova ronda de negociações entre o Irão e os EUA em Islamabade, no Paquistão, permanece incerta, apesar da afirmação do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que o seu vice-presidente, JD Vance, já estaria a caminho da capital paquistanesa.
Posteriormente, vários órgãos de comunicação social norte-americanos e fontes próximas de Vance desmentiram a informação, esclarecendo que o vice-presidente, que lidera a delegação da Casa Branca, só viajará na terça-feira para a reunião de quarta-feira, que coincide com o fim da trégua de duas semanas.
Donald Trump avisou hoje que só vai suspender o bloqueio aos portos iranianos se houver um acordo nas negociações de paz com o Irão.
Em declarações anteriores ao longo do dia, Trump ameaçou que, se as suas exigências não forem satisfeitas até ao fim do cessar-fogo com o Irão, na quarta-feira, "muitas bombas vão explodir", acrescentando que o objetivo a alcançar é um Irão "sem armas nucleares".
Donald Trump considerou também "muito improvável" um prolongamento da trégua entre os dois países, iniciada no dia 08 de abril.
Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ismail Bagaei, baixou as expectativas, afirmando que o Irão não tem planos para comparecer na terça-feira.
A República Islâmica condicionou o reatamento do diálogo ao levantamento do bloqueio aos portos e navios iranianos, depois de os Estados Unidos terem apreendido uma embarcação iraniana no passado domingo.
O Presidente do Irão avisou já nas redes sociais que "os iranianos não se submetem à força" e comentou que "cumprir os compromissos é a lógica de qualquer diálogo", sem mencionar a nova ronda negocial.
"A profunda desconfiança histórica do Irão em relação às ações do Governo norte-americano persiste, enquanto os sinais contraditórios e pouco construtivos das autoridades norte-americanas transmitem uma mensagem amarga: procuram a rendição do Irão", declarou Masoud Pezeshkian.
As partes estiveram reunidas em Islamabad, em 11 de abril, mas não alcançaram um entendimento para encerrar o conflito iniciado por uma ofensiva aérea israelo-americana em 28 de fevereiro.
Em retaliação, o Irão lançou ataques contra Israel e países vizinhos do Golfo e submeteu o estreito de Ormuz a um bloqueio à passagem de navios comerciais, fazendo disparar o preço do crude em todo o mundo.
Depois do fracasso nas conversações na capital paquistanesa, Trump ordenou um bloqueio naval aos portos iranianos.
No centro das discussões entre os dois países, está o programa nuclear e de enriquecimento de urânio do Irão, bem como a produção de mísseis de longo alcance e apoio a milícias no Médio Oriente e ainda o descongelamento de ativos iranianos.