Teerão saúda posição "realista" de Moscovo e Pequim sobre questão nuclear

O Irão congratulou-se hoje com o fracasso das negociações dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e Alemanha sobre um projecto de resolução para deter as suas ambições nucleares, atribuindo-o à posição realista de Moscovo e Pequim.

Agência LUSA /

"Podemos considerar que alguns países se comportam de forma mais realista", declarou em Atenas Ali Larijani, principal dirigente iraniano encarregado do "dossier" nuclear, referindo "a China e a Rússia".

Pequim e Moscovo, que têm interesses económicos e energéticos no Irão, apresentam ainda reservas à referência ao Capítulo VII da Carta das Nações Unidas no texto da resolução, que pode conduzir à adopção de sanções e, em último lugar, a uma acção militar.

"Outros países estão a tentar criar problemas, venho de uma região onde muitos problemas foram criados pelos Estados Unidos", prosseguiu o dirigente iraniano, que falava no final de um encontro com a ministra dos Negócios Estrangeiros grega, Dora Bakoyannis.

Adoptando um tom conciliador em relação aos países europeus, após o fracasso da reunião em Nova Iorque sobre um projecto de resolução vinculativa entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, Javier Solana, Larijani instou esses Estados a "não seguirem a política de um país que cria problemas na região".

"A UE pode desempenhar um papel construtivo", prosseguiu.

O dirigente iraniano garantiu, por outro lado, que o seu país não tenciona abandonar o Tratado de Não-Proliferação (TNP), ao contrário do que o Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, deu a entender domingo.

"Não temos qualquer razão para sair do TNP (Ó) O que é necessário é um equilíbrio entre as obrigações e os direitos que decorrem do TNP", sustentou.

Tal como fez segunda-feira em Ancara, Larijani exortou, além disso, a comunidade internacional a não afastar a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) em benefício do Conselho de Segurança.

"Ainda há tempo para a diplomacia (Ó) Se os Estados Unidos não insistissem, a questão poderia ser resolvida no quadro da AIEA", declarou.

A visita de Ali Larijani à Grécia, membro provisório do Conselho de Segurança, sem direito de veto, responde à necessidade que Teerão tem de defender a sua causa junto das chancelarias e das opiniões públicas estrangeiras.

Esta deslocação surge também um dia depois do envio pelo Presidente iraniano de uma carta ao seu homólogo norte-americano, George W. Bush, gesto sem precedentes desde a ruptura das relações diplomáticas entre os dois países, há mais de 26 anos.

Mas a Casa Branca depressa afastou as expectativas de uma solução negociada para a crise nuclear iraniana, declarando que a carta não contém nada que incite a um reatamento histórico do diálogo.

A missiva de 18 páginas retoma os temas frequentemente abordados pelo Presidente ultraconservador iraniano, sugerindo nomeadamente a Bush que recorra aos princípios religiosos para solucionar a crise.

Hoje, em Jerusalém, o vice-primeiro-ministro israelita, Shimon Peres, repetiu, por seu lado, as afirmações muito duras que emitiu segunda-feira sobre o Irão, deixando entrever a eventualidade de uma resposta fulminante de Israel em caso de ataque nuclear iraniano contra o seu território.

"Disse que aqueles que ameaçam aniquilar arriscam-se a ser aniquilados", declarou Peres, afirmação que teve um impacto particularmente forte, pelo facto de ter sido proferida por um ex- primeiro-ministro que é prémio Nobel da Paz.

Mahmud Ahmadinejad declarou, em Outubro de 2005, que "Israel deve ser eliminado do mapa" e em seguida pôs em causa que o Holocausto tenha sido uma realidade durante a Segunda Guerra Mundial, classificando-se como "mito".

O Presidente iraniano é esperado hoje à noite em Jacarta para uma visita oficial de cinco dias à Indonésia.

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