Telecomunicações cortadas em Tigray com intensificação do conflito
Redes de telecomunicações e de acesso à `internet` encontravam-se hoje cortadas no norte da Etiópia, em Tigray, segundo o observatório internacional Netblocks, numa conjuntura de intensos combates entre as forças federais e grupos opositores armados.
Após vários meses de tensões, os combates recomeçaram na terça-feira entre o exército federal e as tropas da Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), formação política que dirige de facto o estado regional do Tigray, mas de forma ilícita, segundo o Governo federal do primeiro-ministro, Abiy Ahmed.
Entre novembro de 2020 e novembro de 2022, o conflito na região de Tigray foi um dos mais mortíferos do planeta nos últimos anos, com pelo menos 600.000 mortos.
Durante esse conflito, o Governo federal também cortou todas as telecomunicações e a internet no Tigray, além de suspender o fornecimento de eletricidade e os serviços bancários. O Estado regional foi privado de ajuda humanitária durante vários meses, o que o empurrou para a beira da fome.
Houve "combates violentos durante a noite" de quinta para sexta-feira [hoje], explicou, sob anonimato, uma fonte humanitária situada no estado regional de Afar, vizinho do Tigray.
As forças federais etíopes "impediram os rebeldes de entrar na cidade" de Abala, localizada em Afar, segundo a mesma fonte, que também deu conta de um ataque com um `drone` (aeronave não-tripulada) etíope sobre Abala.
A agência France-Presse (AFP) não conseguiu verificar de forma independente estas informações no imediato.
Segundo a organização Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), especializada na recolha e análise de dados sobre conflitos mundiais, "intensos combates" opuseram igualmente as forças federais aos rebeldes de Tigray em May Gaba e Tselimo, duas localidades do Tigray ocidental.
O exército federal etíope afirmou hoje que mais de 700 rebeldes foram mortos e cerca de 500 feridos desde o recomeço das hostilidades, sem avançar um balanço relativo às suas próprias fileiras e sem que esta informação possa ser verificada.
No domingo, foi anunciada a formação de uma coligação anti-governamental - a Aliança das Forças dos Povos Etíopes para a Sobrevivência - que junta a milícia Fano, em Amhara, o Exército de Libertação Oromo (OLA), a Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF), a Frente de Libertação Nacional de Ogaden (ONLF), a Frente Revolucionária de Unidade Nacional Afar, o Movimento de Libertação do Povo de Benishangul e o Movimento Democrático do Povo Gumuz para derrubar o Governo de Abiy Ahmed.