Telemóvel, um dispositivo importante no combate à vodka falsificada

A falsificação da bebida nacional russa, a vodka, atingiu níveis tão elevados, que as autoridades da Rússia optaram por recorrer aos telemóveis no combate a este tipo de crime.

Agência LUSA /

Na Tartária, República da Federação da Rússia, quem tem telemóvel pode rapidamente certificar-se sobre se a vodka que adquire nas mercearias e supermercados foi ou não "feita a martelo".

Basta enviar um "sms" com o número do código de barras escrito na rolha da garrafa para que, segundos depois, receba uma resposta com a confirmação de que a vodka que está a comprar foi legalmente produzida.

Caso a vodka tenha sido produzida fora da Tartária, o consumidor envia um "sms" com o número de registo, escrito na etiqueta da garrafa, e, se receber a resposta de que esse número não está registado na base de dados, o mais provável é que a bebida seja falsificada.

O preço de cada sms é de apenas 5 rublos, ou seja, 15 cêntimos do euro.

As autoridades competentes tencionam alargar esse sistema a Moscovo e a outras regiões da Rússia para tentar travar os perigos que a vodka falsificada acarreta para a saúde de quem a bebe.

Segundo dados oficiais, desde fins de Julho que no país foram hospitalizadas mais de 9 500 pessoas, das quais mais de 400 faleceram devido ao consumo da vodka "a martelo".

O diário Novie Izvestia, publicado em Moscovo, dá diversas recomendações para que os consumidores detectem vodka falsificada.

Por um lado, uma garrafa de vodka legal não pode custar menos de 60 rublos (quase dois euros) e, ainda, se a tampa se abre facilmente, sem se separar completamente do anel de controlo, tem batidas ou outros defeitos, está perante vodka "a martelo".

Por outro lado, é também garantia de que a vodka não está falsificada o facto do líquido atingir o meio do gargalo e não cheirar nem a éter, nem a acetona.

O problema do aumento brusco do consumo de vodka falsificada agudizou-se depois de a Rússia ter proibido a importação de bebidas alcoólicas baratas, nomeadamente vinhos e conhaques, da Moldávia e da Geórgia, e de a alteração dos selos dos impostos nas garrafas ter sido feita de forma tão caótica que as bebidas alcoólicas importadas desapareceram quase completamente ou viram o seu preço subir.

Segundo um estudo realizado pela Fundação "Opinião Pública", 3 por cento dos habitantes da Rússia bebem praticamente todos os dias, 14 por cento consomem álcool várias vezes por semana e 32% bebem só algumas vezes por ano.

A cerveja é a bebida escolhida por 37 por cento dos habitantes do país, enquanto 36 por cento preferem vodka e 6 por cento dizem dar prioridade às "bebidas alcoólicas caseiras".

Entre os homens, o referido estudo concluiu que 53 por cento referem vodka e 52 por cento cerveja, enquanto as mulheres, 38 por cento dizem gostar mais de vinho. A juventude consome bebidas alcoólicas mais fracas: cerveja e vinho (54 e 38 por cento), os adultos e idosos inclinam-se mais para a vodka.

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