Temor à Al Qaeda leva Washington a prolongar fecho de embaixadas

Vai perdurar até ao próximo fim de semana a postura de alerta máximo das autoridades políticas e patentes militares dos Estados Unidos, na esteira da notícia de um risco acrescido de atentados da Al Qaeda. Dezanove representações norte-americanas no Médio Oriente e em África continuarão de portas fechadas. Legisladores proeminentes em Washington acrescentaram, entretanto, gravidade ao contexto de retorno do medo, sinalizando “uma das ameaças mais credíveis” deste o 11 de Setembro.

RTP /
Washington anunciou na semana passada que encerraria no domingo 25 representações diplomáticas, após a captação de comunicações de elementos conotados com a Al Qaeda Nir Elias, Reuters

“Não se trata de uma indicação sobre uma série de novas ameaças, mas de uma indicação do nosso compromisso em fazer prova de prudência e tomar as medidas apropriadas para proteger o nosso pessoal, incluindo os funcionários locais e os visitantes, nas nossas missões”, explicava ontem a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Jen Psaki, após anunciar o prolongamento, até 10 de agosto, do fecho de 19 embaixadas e consulados dos Estados Unidos.

A lista de postos diplomáticos inclui 15 das representações que estiveram já encerradas no domingo. Às quais são somadas outras quatro. Parte das embaixadas e consulados norte-americanos deverá reabrir esta segunda-feira.
Depois do alerta de Washington, Grã-Bretanha, França e Alemanha anunciaram que manteriam fechadas no domingo e esta segunda-feira as respetivas embaixadas em Sana, a capital do Iémen. Já o Canadá optou por encerrar no domingo a sua representação diplomática em Dacca, no Bangladesh.

A ordem para o encerramento de portas até sábado destina-se às representações em Abu Dhabi, Amã, Cairo, Riade, Dhahran, Jeddah, Doha, Dubai, Kuwait, Manama, Mascate, Sana, Tripoli, Antananarivo, Bujumbura, Djibouti, Cartum, Kigali e Port Louis. Serão reabertas para a gestão de assuntos correntes as representações diplomáticas norte-americanas em Daca, Argel, Nouakchott, Cabul, Herat, Bagdade, Bassorá e Erbil.

Foi na passada quinta-feira que a Administração democrata de Barack Obama começou a reeditar parcialmente o ambiente de temor que se seguiu aos atentados de 11 de Setembro de 2001 em Washington e Nova Iorque, ao anunciar a intenção de encerrar, no domingo, pelo menos 25 das suas representações diplomáticas em África e no Médio Oriente. Entre as quais a embaixada em Telavive e os consulados de Haifa e Jerusalém, em Israel.

Na raiz do medo está a notícia da captação, por parte dos serviços secretos, de comunicações eletrónicas que indiciariam a iminência de atentados contra interesses ocidentais. Com a generalidade dos responsáveis políticos de Washington a creditar o trabalho de Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em Inglês). A mesma estrutura que tem estado debaixo de apertado escrutínio mediático após a revelação de um gigantesco programa de vigilância de cidadãos dentro e fora das fronteiras da América.
Palavras vagas sobre ameaça “específica”

Num gesto com reminiscências do consulado republicano de George W. Bush, Barack Obama autorizou durante a noite da passada sexta-feira a adoção de “todas as medidas necessárias para proteger os americanos”.

No dia seguinte a Casa Branca era palco de uma reunião inteiramente dedicada às comunicações captadas pelos serviços de informações. Sem a presença do Presidente. Estiveram no encontro a conselheira de Obama para a Segurança Nacional, Susan Rice, o secretário de Estado, John Kerry, o secretário da Defesa, Chuck Hagel, e a secretária da Segurança Interna, Janet Napolitano. Assim como as cúpulas da CIA, da NSA e do FBI.

O grosso das suspeitas noticiadas a partir de Washington recai sobre o braço da Al Qaeda no Iémen. O jornal The New York Times lembra que esta organização (Al Qaeda na Península Arábica) tentou levar a cabo vários ataques de proporções assinaláveis nos últimos anos.


Também a Interpol tomou por credíveis as pistas norte-americanas e lançou no sábado um alerta internacional de segurança, aconselhando os Estados associados, Portugal incluído, a redobrarem a vigilância. Isto depois de “uma série de evasões de prisões em nove países-membros, entre os quais o Iraque, a Líbia e o Paquistão”, segundo um comunicado da organização de cooperação policial.

Em Washington, como escrevia nas últimas horas o New York Times, prevalece um clima “estranho” em torno de uma ameaça que é ao mesmo tempo “específica e vaga”. Isso mesmo ficou patente nas declarações do legislador republicano Peter King ao programa televisivo This Week, da estação televisiva ABC.

De acordo com aquele membro do Comité dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, a espionagem terá permitido perceber que poderá estar em fase final a preparação de “um atentado enorme”, com a indicação concreta – mas não divulgada no espaço público – de “algumas datas”. “Pensamos que isto vai provavelmente acontecer no Médio Oriente, ou em redor de uma embaixada, mas não há nenhuma garantia. Poderia ser, basicamente, na Europa, poderia ser nos Estados Unidos, poderia ser uma série de ataques combinados”, enumerou King.

Ouvido pela CBS, Michael McCaul, o presidente do Comité de Segurança Interna da mesma Câmara, pronunciou-se em tom semelhante: “É uma das ameaças mais credíveis e mais precisas que já vi desde o 11 de Setembro”.
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