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Movimento pela Habitação. A evolução da vaga de protestos em Lisboa e Porto

Tendas em Atenas. Depois de Espanha e Portugal, milhares enchem as ruas gregas

Tendas em Atenas. Depois de Espanha e Portugal, milhares enchem as ruas gregas

Cerca de 10 mil estudantes saíram esta quarta-feira à rua em várias cidades da Grécia para protestar contra o custo da habitação e dos estudos, numa mobilização também marcada pelo acampamento diante do Parlamento, em Atenas.

Carla Quirino - RTP / Adicionar como fonte informativa
George Vitsaras - EPA

As tendas chegaram à Praça Syntagma, no coração de Atenas. Depois de manifestações estudantis e protestos contra o custo de vida em vários países europeus, também os estudantes gregos avançaram para a rua e passaram a noite junto ao Parlamento para denunciar o aumento das rendas, o custo dos estudos e as condições da educação pública.

A contestação ganhou dimensão nacional esta quarta-feira, com manifestações que juntaram estudantes, professores e outros trabalhadores.

Segundo a polícia, citada pela Reuters, cerca de 10 mil pessoas participaram pacificamente nas manifestações no centro e nos subúrbios de Atenas, com protestos a encherem também outras cidades gregas. 

A televisão pública grega ERT avançou igualmente que em Salónica participaram aproximadamente 2.000 a 2.500 pessoas e, em Patras, mais de 3.000, de acordo com a estação pública. 

Em Atenas, professores exigiram mais investimento público na educação, melhores instalações e turmas menos numerosas. Os professores do ensino primário e médicos participaram também em paralisações relacionadas com salários e falta de pessoal. 
Tendas em frente ao Parlamento
A imagem mais simbólica da contestação surgiu na Praça Syntagma. Na noite de terça-feira, estudantes instalaram tendas junto ao Parlamento e permaneceram no local durante a noite, antes da manifestação desta quarta-feira. 

Não foi a primeira ação do género. A 13 de outubro, estudantes já tinham montado tendas na mesma praça para denunciar os custos da habitação. 

A ERT, televisão pública grega, relatou que os estudantes exigiam medidas para enfrentar o problema habitacional, aumento do apoio à renda, melhoria das residências universitárias e apoio económico aos estudantes e às famílias. 
Acampanento junto ao Parlamento grego | George Vitsaras - EPA

Esta semana, as tendas espalharam-se também por outras cidades. O Kathimerini reportou acampamentos de protesto em Salónica, Ioannina e Patras, enquanto os estudantes exigiam mais residências universitárias, limites às rendas e aumento dos apoios à habitação. “Sobreviver aqui é muito difícil”
O peso das rendas está no centro dos testemunhos recolhidos nas manifestações.

“Sobreviver aqui é muito difícil, a renda é realmente muito elevada e as casas são muito pequenas. Os nossos pais não conseguem ter dinheiro para chegar ao fim do mês e pagar a renda, a eletricidade, a nossa vida aqui”, afirmou à Reuters Georgia Foukidou, estudante universitária de 21 anos, que participou no protesto em Atenas. 

A imprensa grega recolheu relatos semelhantes. Nina Nifakou, presidente da associação de estudantes da Escola de Ciências Administrativas, Económicas e Sociais da Universidade da Ática Ocidental, afirmou que os estudantes chegam a "pagar 600 euros por um pequeno estúdio" e que o "problema da habitação atingiu um ponto crítico", de acordo com a publicação greekreporter.

Também Panagiotis Moschonas, estudante de Engenharia de 20 anos, criticou o apoio público existente. Segundo declarou à Associated Press, citado na APnews, o subsídio equivale a cerca de 120 euros mensais e “não chega sequer para metade de uma renda”.Habitação, salários e perda de poder de compra
A contestação surge num contexto de forte pressão sobre os orçamentos familiares. Segundo a Reuters, o salário médio mensal na Grécia ronda os 1.500 euros e permanece ao nível nominal de 2009, enquanto o poder de compra real de muitos gregos continua entre os mais baixos da União Europeia.

A conjugação de rendas elevadas, inflação e custos energéticos tem dificultado particularmente o acesso dos mais jovens à habitação nas cidades. 

Os estudantes reclamam, entre outras medidas, rendas mais baixas, um aumento do subsídio destinado à habitação, mais residências universitárias e maior financiamento das universidades. Meios gregos referem ainda reivindicações de alimentação e transportes gratuitos para estudantes. 

A ministra da Educação, Sofia Zacharaki, reconheceu a pressão que os custos da habitação exercem sobre as famílias e afirmou que estão em curso projetos no valor de mais de 733 milhões de euros para novas residências de estudantes e melhoria das instalações existentes. Protesto grego olha para o resto da Europa
A dimensão europeia da contestação é assumida pelos próprios manifestantes. Em Atenas ouviu-se o slogan “Da Grécia à França, queremos educação pública e gratuita”, segundo a Reuters. 

Nas manifestações surgiram ainda cartazes em francês. A Associated Press registou mensagens equivalentes a “Estudar ou sobreviver”, enquanto o Kathimerini enquadra as manifestações gregas numa vaga mais ampla de protestos europeus relacionados com o custo de vida e os serviços públicos. 

“Estudar ou sobreviver” | George Vitsaras - EPA

A ligação a Espanha aparece também de forma explícita nas imagens da Reuters: a agência descreve o acampamento de 20 de outubro na Praça Syntagma como um protesto contra os custos da habitação e o subfinanciamento da educação “em solidariedade com estudantes em França e Espanha”. 
Três mil polícias nas ruas de Atenas
O protesto decorreu sob um forte dispositivo de segurança. Cerca de 3.000 agentes foram mobilizados em Atenas, perante receios de que se repetissem na capital grega situações de violência verificadas noutros protestos europeus. 

A polícia de choque acompanhou de perto a manifestação e foram efetuados controlos e revistas de sacos a pessoas que se dirigiam para o protesto, de acordo com a APnews.

As autoridades encerraram preventivamente estações de metro no centro da cidade. Os estabelecimentos comerciais situados ao longo do percurso adotaram também medidas de precaução, com lojas e cafés a baixarem as proteções metálicas.

Segundo a Kathimerini, 21 pessoas foram levadas pela polícia para interrogatório, mas não há indicação imediata de detenções. O jornal refere que, apesar do forte dispositivo policial, não foram registados distúrbios na manifestação principal.
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