Mundo
Tensão ao rubro em Moçambique entre governo e Renamo
Combatentes da Renamo atacaram na madrugada desta terça-feira um posto da polícia em Maríngue, no centro de Moçambique. O ataque, que uma fonte policial descreveu como “intenso”, ocorreu horas depois de o exército ter ocupado o aquartelamento do líder da Renamo Afonso Dhlakama em Satunjira, levando o principal partido da oposição a declarar nulo o acordo de paz que em 1992 pôs termo à guerra civil moçambicana. O governo português acompanha com preocupação o agravamento das tensões político-militares na antiga colónia, que se agravaram depois de a Renamo ter decidido boicotar as eleições autárquicas de 20 de novembro.
O ataque ao posto da polícia durou mais de uma hora, mas não terá causado vítimas. Maríngue, na serra da Gorongosa, província de Sofala, foi a região onde esteve localizado o quartel-general da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo) durante a guerra civil que assolou o país entre 1976 e 1992.
Segunda-feira, na mesma zona da Serra da Gorongosa, o exército moçambicano tomou a base da Renamo em Satunjira onde estava aquartelado Afonso Dhlakama.
Segundo um porta-voz da Renamo, o líder do movimento conseguiu abandonar a residência e encontra-se em parte incerta, mas está “de boa saúde e com moral bastante elevado”.
Maputo fala em autodefesa
O governo de Maputo reconhece o ataque às instalações onde se encontrava Dhlakama, mas afirma que as forças do exército no local agiram em autodefesa depois de terem sido atacadas por combatentes da Renamo.
“Porque era preciso parar as pessoas que atacaram as nossas forças, as forças de defesa e segurança perseguiram os homens da Renamo, até ao local onde tinham saído, e que neste caso era o local onde se localizava o senhor Afonso Dhlakama”, disse aos jornalistas Cristóvão Chume, diretor nacional de política do Ministério moçambicano da Defesa.
"As Forças Armadas, em conjunto com outras forças de defesa e segurança, na sequência disso, ocuparam Satunjira", explicou.
Renamo diz que ataque enterrou acordo de paz
O porta-voz da Renamo Fernando Mazanga acusou entretanto o partido governamental de pretender assassinar o seu líder: “O objetivo da Frelimo e o do seu presidente, Armando Gebuza, é de assassinar o presidente Afonso Dhlakama, para subjugarem a vontade dos moçambicanos, pois ele jamais permitiria que os moçambicanos ficassem acorrentados na ideologia de partido único”.
“A atitude irresponsável do comandante em chefe das Forças Armadas pôs termo ao acordo de paz de Roma”, disse ainda Mazanga, referindo-se ao acordo de paz entre a Renamo e o governo que pôs fim à guerra civil de 1976-1992.
O cerco e ocupação da casa do líder da Renamo é apenas um de vários incidentes que se têm vindo a avolumar desde que a Renamo se recusou a participar nas eleições autárquicas de 20 de novembro, depois de ter visto rejeitada a exigência de inclusão na lei eleitoral do princípio da paridade na composição dos órgãos eleitorais, que acusa de favorecerem a Frelimo.
Governo português preocupado
O governo português emitiu ontem uma nota à imprensa em que diz acompanhar com preocupação a situação em Moçambique e lamenta a perda de vidas humanas.
A nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros “faz votos” para que se regresse rapidamente a um quadro de normalidade e que Moçambique “prossiga no caminho de desenvolvimento económico e progresso social”.
A embaixada dos Estados Unidos em Maputo também emitiu segunda-feira um comunicado, condenando a escalada de violência no centro de Moçambique e apelando às partes para apostarem no diálogo.
Igreja apela ao diálogo
Em declarações à Lusa, o porta-voz da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), disse hoje que a Igreja Católica moçambicana acompanha com "bastante tristeza" a tensão política e militar no país, exortando as duas principais lideranças políticas a reunirem-se para "devolver a esperança ao povo pela via do diálogo".
"Acompanhamos com bastante tristeza o caminho que a situação está a seguir. Acreditávamos que o diálogo seria a via a seguir para que os principais agentes políticos alcançassem o consenso sobre as suas divergências", afirmou João Nunes, que é também bispo auxiliar da Arquidiocese de Maputo.
"Apelámos às partes para que deixem de lado o orgulho e a soberba que lhes cegam na solidariedade e humanismo para com o povo moçambicano", enfatizou.
Para o porta-voz da CEM, a confrontação militar em curso no centro do país representa um recuo no processo de paz que Moçambique vinha trilhando desde 1992, quando terminou a guerra civil que durou 16 anos.
Segunda-feira, na mesma zona da Serra da Gorongosa, o exército moçambicano tomou a base da Renamo em Satunjira onde estava aquartelado Afonso Dhlakama.
Segundo um porta-voz da Renamo, o líder do movimento conseguiu abandonar a residência e encontra-se em parte incerta, mas está “de boa saúde e com moral bastante elevado”.
Maputo fala em autodefesa
O governo de Maputo reconhece o ataque às instalações onde se encontrava Dhlakama, mas afirma que as forças do exército no local agiram em autodefesa depois de terem sido atacadas por combatentes da Renamo.
“Porque era preciso parar as pessoas que atacaram as nossas forças, as forças de defesa e segurança perseguiram os homens da Renamo, até ao local onde tinham saído, e que neste caso era o local onde se localizava o senhor Afonso Dhlakama”, disse aos jornalistas Cristóvão Chume, diretor nacional de política do Ministério moçambicano da Defesa.
"As Forças Armadas, em conjunto com outras forças de defesa e segurança, na sequência disso, ocuparam Satunjira", explicou.
Renamo diz que ataque enterrou acordo de paz
O porta-voz da Renamo Fernando Mazanga acusou entretanto o partido governamental de pretender assassinar o seu líder: “O objetivo da Frelimo e o do seu presidente, Armando Gebuza, é de assassinar o presidente Afonso Dhlakama, para subjugarem a vontade dos moçambicanos, pois ele jamais permitiria que os moçambicanos ficassem acorrentados na ideologia de partido único”.
“A atitude irresponsável do comandante em chefe das Forças Armadas pôs termo ao acordo de paz de Roma”, disse ainda Mazanga, referindo-se ao acordo de paz entre a Renamo e o governo que pôs fim à guerra civil de 1976-1992.
O cerco e ocupação da casa do líder da Renamo é apenas um de vários incidentes que se têm vindo a avolumar desde que a Renamo se recusou a participar nas eleições autárquicas de 20 de novembro, depois de ter visto rejeitada a exigência de inclusão na lei eleitoral do princípio da paridade na composição dos órgãos eleitorais, que acusa de favorecerem a Frelimo.
Governo português preocupado
O governo português emitiu ontem uma nota à imprensa em que diz acompanhar com preocupação a situação em Moçambique e lamenta a perda de vidas humanas.
A nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros “faz votos” para que se regresse rapidamente a um quadro de normalidade e que Moçambique “prossiga no caminho de desenvolvimento económico e progresso social”.
A embaixada dos Estados Unidos em Maputo também emitiu segunda-feira um comunicado, condenando a escalada de violência no centro de Moçambique e apelando às partes para apostarem no diálogo.
Igreja apela ao diálogo
Em declarações à Lusa, o porta-voz da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), disse hoje que a Igreja Católica moçambicana acompanha com "bastante tristeza" a tensão política e militar no país, exortando as duas principais lideranças políticas a reunirem-se para "devolver a esperança ao povo pela via do diálogo".
"Acompanhamos com bastante tristeza o caminho que a situação está a seguir. Acreditávamos que o diálogo seria a via a seguir para que os principais agentes políticos alcançassem o consenso sobre as suas divergências", afirmou João Nunes, que é também bispo auxiliar da Arquidiocese de Maputo.
"Apelámos às partes para que deixem de lado o orgulho e a soberba que lhes cegam na solidariedade e humanismo para com o povo moçambicano", enfatizou.
Para o porta-voz da CEM, a confrontação militar em curso no centro do país representa um recuo no processo de paz que Moçambique vinha trilhando desde 1992, quando terminou a guerra civil que durou 16 anos.