Tensão entre Rússia e Ucrânia em destaque na reunião do G7 em Liverpool

Os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 reuniram-se este fim de semana em Liverpool, no norte de Inglaterra, país que assegura a presidência do G7 e o principal tema em cima da mesa é a tensão entre a Rússia e a Ucrânia. O acordo nuclear com o Irão também está em debate neste encontro entre chefes da diplomacia internacional.

RTP /
Reuters

No sábado, os Estados Unidos renovaram o apelo à Rússia para uma "desaceleração" das tensões com a Ucrânia, garantindo que as grandes potências ocidentais estão prontas para impor em sanções "massivas" a Moscovo, no caso de tentar atacar Kiev. No entanto, uma representante norte-americana presente na reunião em Liverpool disse à Agence France Press que acredita que ainda é possível resolver esta "nova crise ucraniana" através da "diplomacia".

A ameaça de sanções sem precedentes foi formulada nos últimos dias por Washington e, em particular, pelo Presidente Joe Biden, que se reuniu com seu homólogo russo Vladimir Putin.
 
Por isso, a vice-secretária de Estado norte-americana para a Europa, Karen Donfried, vai deslocar-se à Ucrânia e à Rússia, na próxima semana, com o objetivo de alcançar "avanços diplomáticos para encerrar o conflito no Donbass", no leste Ucrânia, "implementando os acordos de Minsk".

Mas se a Rússia "decidir não seguir esta via diplomática", haverá "consequências massivas e um preço significativo a pagar, e o G7 está completamente unido nisso", advertiu a mesma fonte.

"Não só os países que estiveram na sala, mas um número ainda maior de Estados democráticos que se vão juntar a nós para fazer a Rússia pagar", acrescentou.

Este domingo, a chefe da diplomacia britânica, Liz Truss, reforçou o alerta, após a reunião do G7, que a Rússia irá expor-se a "consequências sérias" em caso de invasão da Ucrânia.

Segundo Liz Truss, este G7 de ministros dos Negócios Estrangeiros também mostrou uma frente unida contra Moscovo, que o Ocidente acusa há algumas semanas de se preparar para uma possível invasão da Ucrânia, apesar dos desmentidos do Kremlin, refere a AFP.

Esta reunião mostrou, segundo Liz Truss, "a voz muito unida dos países do G7 que representam 50 por cento do PIB [produto interno bruto] mundial, e que são muito claros (sobre o facto) de que haveria consequências sérias para a Rússia no caso de uma invasão na Ucrânia".
Acordo nuclear

Liz Truss avisou também este domingo que as negociações que acabam de ser retomadas para salvar o acordo nuclear iraniano são a "última oportunidade para o Irão adotar uma posição séria".

"Esta é a última oportunidade para o Irão chegar à mesa das negociações com uma solução séria para este problema", disse Liz Truss, no final de uma reunião do G7 em Liverpool.

"Ainda há tempo para o Irão vir e aceitar este acordo", mas "esta é a última oportunidade", insistiu, instando Teerão a vir "com uma proposta séria".

"É vital que o faça", porque "não permitiremos que o Irão adquira armas nucleares", disse Liz Truss, no final da reunião.

As negociações indiretas entre o Irão e os Estados Unidos, mediadas pelos europeus, foram retomadas no final de novembro, em Viena, para tentar ressuscitar o acordo de 2015, que alegadamente impediria a República islâmica de adquirir a bomba atómica. Os EUA retiraram-se desse texto em 2018, sob a presidência de Donald Trump, que restabeleceu as sanções contra Teerão, que em resposta se libertou aos poucos das restrições ao seu programa nuclear.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 reuniram-se este fim de semana em Liverpool, no norte de Inglaterra, país que assegura a presidência do G7 (grupo dos países mais industrializados do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido).
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