Tensão no mar da China. Navio de guerra dos EUA escoltado por caças de Pequim

Um navio de guerra norte-americano terá sido escoltado, após alguns momentos de tensão, pelas forças militares chinesas no Mar da China. Pequim terá mesmo enviado caças da Marinha para a zona. As autoridades chineses alegam que o navio USS Barry entrou em águas territoriais, próximo da disputadas ilhas Paracel.

RTP /
Imagem de arquivo do USS Barry norte-americano DR

As Paracel são constituídas por um grupo de pequenas ilhas e recifes no Mar da China Meridional. Foram, curiosamente, identificadas nos primeiros mapas de origem portuguesa da região.

Atualmente ocupadas pela China, são pedaços de terra que se encontram em disputa com Taiwan.

Daí a presença norte-americana na zona. Os EUA não querem perder poder naquela região do planeta. A disputa pelas ilhas já dura há vários anos. Mas na realidade, o que tem acontecido é que a China tem aumentado a presença no local, construíndo até, de forma artificial, bases militares com longas pistas de aterragem.

O objetivo final, de acordo com vários analistas, é o reconhecimento internacional daquelas ilhas como chinesas e, consequentemente, de toda aquela zona do mar.

Algo que os americanos não pretendem que aconteça, daí a presença com navios de guerra junto às ilhas Paracel.
Imagem Google Photos

O que levou ao recente confronto. De acordo com a Marinha chinesa, o "destroyer" norte-americano USS Barry entrou em águas territoriais chinesas. "As ações provocadoras dos EUA violaram a lei internacional, violando seriamente os interesses de soberania e de segurança chineses, aumentando de forma intencional os riscos regionais de segurança", disse um porta-voz militar, o coronel Li Huamin.

As ações norte-americanas, acrescentou, podiam ter originado um "acidente". Num tom também ele provocador, o mesmo porta-voz disse que os EUA devia estar mais focados na prevenção da epidemia no próprio país do que em ações militares contra a estabilidade regional.

Ainda esta semana, o mesmo navio atravessou o estreito de Taiwan por duas vezes, disse a Marinha norte-americana, tendo sido sempre seguido por um porta-aviões chinês. 

Os EUA alegam que estão presentes naquela região, de forma ativa, com navios de guerra, para patrulhar o estreito e os mares da China, alegando que têm que proteger a "liberdade de navegação". Algo que a China tem condenado, alegando que estão a violar a soberania do país.

Longe do mar, os dois países têm nos últimos dias vivido numa retórica de tom bélico por causa do novo coronavírus. Donald Trump acusou Pequim de ter escondido informação vital sobre a Covid-19. Os chineses responderam e chegaram mesmo a insinuar que o surto pode ter ligação aos militares norte-americanos.
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