Protestos estudantis em França. Macron procura solução mas tensão não deve abandonar as ruas

Protestos estudantis em França. Macron procura solução mas tensão não deve abandonar as ruas

Numa reunião de urgência no Eliseu, o presidente francês mandou ativar de forma intensiva as negociações com alunos e professores. Macron apontou ainda a renovação dos edifícios e a substituição dos professores.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Reuters

Apesar de Emmanuel Macron procurar medidas para atenuar a tensão das ruas, os estudantes dizem que vão continuar os protestos e os bloqueios.

Centenas de milhares de alunos do ensino secundário estiveram esta terça-feira a manifestar-se em várias cidades de França. À medida que os dias de protesto passam, o número de feridos continua a aumentar.
Pelo menos 256 mil pessoas participam esta tarde nos protestos estudantis, das quais 56 mil na capital, de acordo com o Ministério do Interior.

Os números da organização do protesto são, no entanto, superiores, apontando para 450 mil manifestantes em todo o país, 100 mil dos quais em Paris.

Nos últimos dias, foram detidas mais de seis mil pessoas, na maioria menores de idade, de acordo com o Ministério francês do Interior. Segundo o Ministério da Justiça, mais de 1800 manifestantes estão a ser alvo de processos. 
Rosário Salgueiro - correspondente da RTP em Paris

A RTP apurou que Emmanuel Macron convocou para esta noite uma reunião de emergência no Eliseu com vários membros do Governo, entre os quais o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e o ministro da Educação, Édouard Geffray.

No total, pelo menos 215 estudantes ficaram feridos desde o início dos protestos, quer “na sequência de acidentes”, quer "por ação de outros indivíduos externos", segundo o Governo.

Além disso, foram registados mais de 700 feridos entre as forças de segurança e cerca de uma centena entre funcionários do Ministério da Educação.

Esta terça-feira, um polícia que lançou uma granada lacrimogénea que feriu gravemente um aluno no rosto durante os protestos da semana passada foi indiciado por violência, anunciou o procurador de Pontoise.

O agente da polícia, indiciado por "violência por parte de pessoa detentora de autoridade pública, seguida de mutilação ou incapacidade permanente", foi colocado sob controlo judicial e está proibido de exercer funções até nova ordem, precisou o Ministério Público desta cidade da periferia de Paris.
Um adolescente perdeu mão com granada, outro perdeu a visão

Na Praça da Nação, em Paris, registaram-se ao início da tarde novos confrontos depois de um grupo de manifestantes mascarados ter pegado fogo a caixotes do lixo. Foram depois buscar secretárias a um liceu e deixaram-nas também em chamas no meio da estrada.

A polícia cercou os jovens, que entoaram cânticos contra a extrema-direita.

Na segunda-feira, na cidade de Lens, no norte de França, um adolescente de 15 anos perdeu a mão e parte do antebraço ao apanhar uma granada de atordoamento da polícia que detonou.

Na semana passada, em Tours (centro do país), outro aluno do ensino secundário com 16 anos perdeu a visão de um olho durante um bloqueio estudantil. Até ao momento, a polícia abriu dez inquéritos internos.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, garantiu esta terça-feira que as intervenções das autoridades estavam a ser realizadas com “a maior proporcionalidade”.

No entanto, a Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos, órgão que aconselha o governo, manifestou “profunda preocupação” com o “recurso desproporcional à força” e pediu ao Governo que “reforce o diálogo com a juventude” e “garanta o exercício dos seus direitos”.Um quarto dos liceus com aulas suspensas
A pouco mais de seis meses das eleições presidenciais, os alunos exigem mais recursos para as escolas. Têm recebido o apoio de sindicatos e de uma parte dos professores, que nalgumas cidades se têm juntado aos protestos.
Jornal da Tarde | 6 de outubro de 2026

Os estudantes denunciam as más condições sanitárias dos edifícios, as salas de aula sobrelotadas ou as ausências de professores não substituídos.

No total, um quarto dos liceus (891 em 3.700) viram as suas aulas "suspensas, total ou parcialmente" esta terça-feira, segundo o Ministério da Educação.

"Hoje estou a manifestar-me porque tenho medo pelo meu futuro e quero reivindicar os meus direitos", explicou à agência France-Press a aluna Selma, de 15 anos, admitindo estar "um pouco zangada".

Donald Trump culpou "o Islão" e a "imigração em massa fora de controlo" pelo movimento estudantil.

"O que está a acontecer em França não é mais do que uma imigração em massa fora de controlo. Não se trata das escolas, trata-se do Islão que quer apoderar-se de um país outrora grande!", escreveu na rede Truth Social.

c/ agências
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