Tensão regressa às ruas de Hong Kong e obriga ao breve encerramento de zona administrativa

Os confrontos entre a polícia e os manifestantes pró-democracia marcaram o início do dia em Hong Kong, de onde resultaram 48 detenções e mais de 30 feridos, incluindo sete polícias. O chefe executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, já avisou que as forças policiais no local vão agora tomar “medidas firmes”. Os manifestantes já informaram entretanto que pretendem continuar os protestos, mas de forma pacífica.

Andreia Martins, RTP /
Os guarda-chuvas que protegem os estudantes do gás lacrimogéneo tornaram-se desde setembro o símbolo das manifestações Tyrone Siu/Reuters

O estado de frágil acalmia entre manifestantes e polícia nas ruas de Hong Kong foi interrompido esta segunda-feira. A ação dos manifestantes obrigou mesmo ao encerramento dos edifícios do governo central, bem como várias dezenas de lojas perto do local dos confrontos.
Estes são os protestos mais violentos contra a liderança do Partido Comunista Chinês desde as manifestações na praça Tiananmen, em 1989.


Desde finais de setembro que os manifestantes pró-democracia, em grande parte estudantes, ocupavam pontos estratégicos da região, em protesto contra a influência do governo de Pequim na política administrativa de Hong Kong.

A enviada especial da RTP ao local, Rosário Salgueiro, contava em direto para o programa Manhã Informativa da RTP Informação que os manifestantes decidiram prosseguir os protestos sem violência, mas prometem continuar a ocupar o coração financeiro e político da região apesar das divisões existentes entre os próprios manifestantes.
Forças policiais com "medidas firmes"Ainda antes desta comunicação por parte dos manifestantes, o líder do poder local, Leung Chun-ying avisava que a tolerância da polícia e do poder administrativo se estaria a esgotar.

À imprensa local, Leung pedia aos manifestantes que não regressassem aos locais de ocupação. Prometeu mesmo "medidas firmes" contra os protestos, mas não disse explicitamente se as barricadas dos manifestantes seriam ou não desmanteladas em breve.

Os estudantes protestam desde setembro pelo sufrágio livre e o fim da obrigatoriedade de todos os candidatos ao Governo local serem previamente aprovados pela tutela de Pequim.

Conflito diplomático com o Reino Unido Ainda antes dos protestos que decorreram ao início da manhã, uma porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, garantia que a tentativa de intervenção de legisladores estrangeiros, nomeadamente britânicos, seria um "confronto" ao poder central e seria categoricamente impedido por Pequim. "Temos todo o direito de decidir quem deixamos entrar no nosso território", esclareceu Chunying.

Estas declarações oficiais vieram ameaçar as relações sino-britânicas, 30 anos depois de a soberania de Hong Kong, antigo território colonial do Reino Unido, ter sido entregue à China.

Desde 1997 que Hong Kong funciona no registo "um país, dois sistemas", que conferiu autonomia eleitoral à região administrativa. Em 2001, Pequim havia prometido que as eleições legislativas da região autónoma seriam as primeiras com sufrágio verdadeiramente universal, com candidatos independentes sem necessidade do aval de Pequim.

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