Teodoro Obiang, o decano dos líderes africanos

Lisboa, 23 jul (Lusa) -- O Presidente da Guiné Equatorial há 35 anos, que completa em agosto, Teodoro Obiang Nguema, 72 anos, é o decano dos líderes africanos e ocupa ainda, segundo muitos observadores, o "posto" de pior ditador do continente.

Lusa /

Hoje, o país que lidera aderiu à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), concluindo um processo de adesão de dez anos.

Nascido a 05 de junho de 1942, na cidade de Akoakam-Esangui, no distrito de Mongomo, é o terceiro de 10 irmãos.

Entra no exército durante o período colonial e frequenta a Academia Militar de Saragoça, na potência colonizadora, Espanha, graduando-se como segundo-tenente em 1965, altura em que regressa ao país para servir na Guarda Nacional.

Com a subida à presidência de Francisco Macias Nguema, após a independência da Guiné Equatorial, em outubro de 1968, o sobrinho Teodoro Obiang "é privilegiado com uma série de promoções", segundo o instituto de investigação catalão Centro para as Questões Internacionais de Barcelona (CIDOB).

Ocupa as funções de governador de Bioko, de diretor-geral de Planeamento do Ministério da Defesa Nacional, de secretário-geral do Ministério das Forças Armadas, entre outros.

Em 1978, é promovido a tenente-coronel e assume o cargo de vice-ministro das Forças Armadas, "depois de ter dirigido o centro de detenção de Black Beach, em Malabo, (...) o principal local de tortura do regime", indica o CIDOB.

"A 03 de agosto de 1979, acompanhado por um grupo de oficiais" Teodoro Obiang Nguema "liderou a revolta (...) contra a terrível situação de opressão e violência que ocorria com o Presidente na época, Francisco Macias", de acordo com a sua biografia oficial.

Após o designado "golpe da liberdade", Teodoro Obiang sobe ao poder, Francisco Macias é executado em setembro e o novo Presidente promete aos cidadãos um novo tipo de governo. Aprova uma amnistia que envolve milhares de presos políticos e apela ao regresso da diáspora, mas rejeita o estabelecimento de instituições democráticas.

Em 1982, Obiang adota uma nova Constituição e garante um mandato de sete anos na chefia do Estado. Cinco anos, depois cria o primeiro partido político da "nova era democrática do país": o Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), no poder.

Como único candidato às primeiras eleições presidenciais, em 1989, Obiang é reeleito, acontecendo o mesmo em 1996, 2002 e 2009, já com o multipartidarismo legalizado, sempre com votações expressivas.

"Embora o seu governo tenha sido inicialmente considerado mais humano do que o do seu tio, a maioria das fontes considera que se tornou mais brutal ao longo dos anos. A maioria dos observadores nacionais e internacionais consideram o seu regime um dos mais corruptos, opressivos e antidemocráticos do mundo", refere o "site" noticioso indepthafrica.com.

Os abusos sob a administração de Obiang incluem "mortes ilegais por parte das forças de segurança, sequestros sancionados pelo Governo, tortura sistemática de presos, (...) detenções arbitrárias, impunidade", adianta a mesma fonte, assim como o CIDOB.

O "think-tank" catalão aponta igualmente o favorecimento de familiares como "uma característica sempre presente no regime de Obiang".

Teodoro "Teodorin" Nguema Obiang Mangue, primogénito do Presidente, foi nomeado em 2012 segundo vice-presidente. Do atual executivo fazem parte outro dos filhos do chefe de Estado, Gabriel Obiang Lima, ministro das Minas, Indústria e Energia, e um dos irmãos, o general Antonio Mba Nguema, ministro da Defesa.

Por outro lado, a extraordinária riqueza trazida pelo petróleo a partir da década de 1990 agudizou os desequilíbrios no país e, segundo organizações de defesa dos direitos humanos, fomenta a corrupção e o enriquecimento ilícito.

Por suspeitas desses crimes, bens da família presidencial foram apreendidos nos Estados Unidos e em França, onde decorrem investigações.

As próximas eleições presidenciais estão marcadas para finais de 2016 e, aparentemente, só motivos de saúde poderão impedir a recandidatura de Teodoro Obiang. Segundo o CIDOB, o chefe do Estado da Guiné Equatorial foi tratado a um cancro da próstata em 1999, na clínica Mayo de Rochester, nos Estados Unidos.

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