"Terramoto político". Regime militar da Tailândia sofre golpe esmagador nas eleições

O partido reformista Move Forward venceu as eleições gerais da Tailândia, que decorreram este domingo, representando um duro golpe para os militares, no poder há quase uma década. Apesar da clara vitória da oposição no voto popular, ainda não é claro quem assumirá o poder no país, já que os militares poderão impedir um Governo de coligação através do voto dos senadores.

RTP /
Pita Limjaroenrat, líder do partido Move Forward Athit Perawongmetha - Reuters

Com uma participação recorde nas eleições, os tailandeses atribuíram uma vitória categórica ao partido reformista Move Forward, num gesto de condenação ao Governo apoiado por militares, que liderou o país durante quase uma década.

Contra todas as previsões e sondagens, os resultados apurados até ao momento indicam que o Move Forward deverá conquistar 151 lugares da Câmara dos Representantes da Assembleia Nacional, com o partido populista Pheu Thai, o favorito à vitória, em segundo lugar, com 141 lugares.


"Sou Pita Limjaroenrat, o próximo primeiro-ministro da Tailândia", disse o líder do partido Move Forward, de 42 anos, numa conferência de imprensa realizada na capital, Banguecoque.

"Estamos prontos para formar governo", insistiu o reformista, que prometeu ser "um primeiro-ministro para todos".

Limjaroenrat disse já ter iniciado conversações com o Pheu Thai, de Paetongtarn Shinawatra, filha do ex-primeiro-ministro exilado Thaksin Shinawatra, para formar uma coligação de seis partidos que reuniria "309" das 500 cadeiras na câmara baixa do parlamento.

Em terceiro lugar nas eleições ficou o partido pró-descentralização Bhumjaithai. Só depois, com apenas 15% dos assentos, surgem os partidos ligados ao atual primeiro-ministro, Prayuth Chan-ocha.

Com uma afluência recorde superior a 75%, os analistas estão a apelidar estas eleições de um “terramoto político”, que espelha o desejo de mudança política por parte da população.
Prayuth Chan-ocha chegou ao poder após o golpe de Estado de 2014, passando a governar a Tailândia com o apoio dos militares.

Num contexto de fraco crescimento económico e declínio das liberdades fundamentais desde que Prayut Chan-O-Cha chegou ao poder, os tailandeses mostraram agora que ambicionam uma mudança política no país, já que Pita Limjaroenrat defende uma reforma radical das instituições do país, nomeadamente uma reforma no polémico Lèse-majesté, o crime de traição contra um soberano ou contra o Estado.

“Acreditamos que a nossa Tailândia pode ser melhor e que a mudança é possível se começarmos hoje. O nosso sonho e esperança são simples e diretos, e não importa se vocês concordam ou discordam de mim, eu serei o vosso primeiro-ministro. Não importa se votoram em mim ou não, eu irei servir-vos”, disse Pita Limjaroenrat no Twitter.
Militares mantêm vantagem
Apesar da clara vitória da oposição no voto popular, ainda não é claro quem assumirá o poder no país, uma vez que, para eleger o próximo primeiro-ministro e formar um Governo, um partido – ou coligação – deve obter a maioria dos 750 assentos do Parlamento.

Ou seja, para além dos 500 deputados da câmara baixa eleitos nas urnas, os 250 senadores da Assembleia Nacional também participam na votação para a formação do próximo Governo.

Todos os 250 senadores em funções foram, porém, nomeados pela junta militar que tomou o poder em 2014, o que significa que provavelmente votarão num candidato pró-militar. Os resultados oficiais deverão ser conhecidos ainda esta semana.


Durante a madrugada, o atual primeiro-ministro garantiu que iria respeitar a democracia e o resultado da votação.

O Pheu Thai também reconheceu que o vencedor da eleição tem o direito de liderar o Governo, abrindo caminho para Limjaorenrat se tornar o próximo chefe do Governo.

"As vozes do povo são as mais importantes e nós respeitamos as decisões do povo. O partido que vencer terá o direito de propor o candidato a primeiro-ministro", disse Paetongtarn Shinawatra.

c/agências
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