Testemunha sugere possível ataque a helicóptero espanhol
Um militar espanhol que seguia num dos dois helicópteros envolvidos no acidente de terça-feira no Afeganistão, que provocou 17 mortos e cinco feridos, disse ter ouvido um impacto e uma explosão antes do aparelho começar a descer.
"Todos sentimos um forte impacto, como uma explosão e o nosso helicóptero começou a dar voltas até chegar ao solo", explicou o militar que seguia no segundo helicóptero que conseguiu efectuar uma aterragem de emergência.
"Aos outros (no primeiro helicóptero) devem ter- lhes acertado em cheio. Quando tocámos terra, a seu aparelho já estava a arder", disse, citado na edição online da Voz da Galiza.
As declarações parecem dar força à teoria de que os dois helicópteros foram alvo de um ataque de terra, possivelmente através de uma RPG lançada contra os dois helicópteros.
Oficialmente a única explicação dada até agora sobre o sinistro foi avançada pela Força Internacional no terreno que em comunicado afirmou ter-se tratado de um acidente, embora as autoridades espanholas não tenham nunca descartado a possibilidade de uma acção militar.
O testemunho foi confirmado pelos pais de uma das 17 vítimas mortais que explicaram ao mesmo jornal terem sido contactados pelo piloto do segundo aparelho para os informar do sinistro e da morte do seu filho.
"O seu helicóptero foi derrubado. Receberam fogo desde terra, foram atacados", ter-lhes-á dito.
Responsáveis militares têm vindo a admitir, em privado, a tese do ataque de terra, explicando que dada a natureza da operação que os dois aparelhos estavam a realizar (reconhecimento), viajavam bastante próximo do solo, entre três e 10 metros.
Oficialmente não há relatos de elementos ou forças hostis a operar na zona de Herat onde ocorreu o acidente e está estacionada a maioria dos 850 soldados espanhóis destacados no Afeganistão.
Hoje o ministro da Defesa espanhol, José Bono e uma equipa de investigadores forenses e peritos deslocaram-se ao local do acidente, numa altura em que já começaram as operações de identificação dos 17 cadáveres.
Bono visitou ainda três dos cinco militares feridos que seguiam no segundo helicóptero, e que ainda não tiveram alta hospitalar, mantendo vários encontros com responsáveis militares e elementos do contingente espanhol no terreno.
ASP.
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